Aspectos Físicos
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Geologia
A geologia da região é bastante complexa, abrangendo rochas que datam desde o período Pré-Cambriano (4,5 bilhões de anos) até sedimentos recentes da Planície Litorânea (5 mil anos).
As rochas metamórficas predominam, sendo facilmente observáveis por estarem expostas em diversos pontos da Serra do Mar, como a Serra do Marumbi, do Leão e da Igreja. Durante os períodos Jurássico-Cretáceo produziu-se ainda a intrusão de rochas vulcânicas, formando numerosos diques básicos de composição diversa, como o diabásio, a exemplo do encontrado na Gruta das Encantadas na Ilha do Mel.
Na planície litorânea misturam-se sedimentos de origem marinha (cordões arenosos) com sedimentos aluviais sílticos-arenosos e argilosos fluviais que progrediram, ou avançaram, por sobre sedimentos de fundo e sobre manguezais.

Gruta das Encantadas, onde pode se observar a estrutura geológica da região, sendo evidenciado o dique de diabásio sobre a entrada da gruta. (Foto: José Claro da Fonseca)
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Geomorfologia
Serra do Mar
A Serra do Mar constitui um sistema montanhoso que se estende desde o Espírito Santo, até o Sul de Santa Catarina. Desenvolve-se paralelamente à linha de costa, ora se afastando, ora se aproximando desta linha, chegando, em algumas regiões, a manter contato com as águas oceânicas. No Paraná, a Serra do Mar forma uma zona limítrofe entre o planalto meridional de Curitiba e a planície litorânea.

Limite entre a Serra do Mar e a planície litorânea.
Planícies Litorâneas
A planície litorânea se estende desde o sopé da Serra do Mar até o Oceano Atlântico, apresentando um comprimento de aproximadamente 90 km e uma largura máxima de 55 km, possuindo uma área aproximada de 6.600 km². Está recortada pelas baías de Paranaguá e Guaratuba.
A formação desta planície foi comandada pelas variações do nível do mar (transgressão e regressão), e pelas mudanças climáticas durante o período Pleistoceno (1 milhão de anos).
As oscilações do nível do mar deixaram marcas profundas na sua configuração. Durante os períodos em que o mar estava abaixo do nível atual, grande parte da planície ficava emersa, sendo sulcada pelos rios com suas nascentes na Serra do Mar. Nos períodos em que o nível do mar estava superior ao atual, os vales eram alagados formando baías e lagunas.
Após o término de uma transgressão marinha, quando o mar começava a descer novamente, cordões arenosos iam sendo depositados junto à linha de costa pela ação da corrente de deriva, dando origem a uma extensa planície de restinga. O alinhamento desses “cordões litorâneos”, correspondem às cristas das praias que foram sucessivamente abandonadas no decorrer do recuo da linha de costa. -
Bacias de Drenagem
São sistemas complexos, terrestres e aquáticos, geograficamente definidos, compostos por sistemas físicos, biológicos, econômicos e sociais. Contém, portanto, uma grande diversidade de ambientes onde se desenvolvem diferentes atividades econômicas, as quais exercem uma influência direta na vegetação, nos solos, na topografia, nos corpos d’água e na biodiversidade em geral. Esta unidade geográfica tem no seu rio formador o ponto central para onde convergem os remanescentes de todas as atividades desenvolvidas.
No litoral paranaense estão presentes quatro bacias de drenagem: uma drenando para o Complexo Estuarino de Paranaguá; uma para o Estuário de Guaratuba; e duas que desaguam diretamente no mar, a do rio Saí-Guaçu (ao sul, no limite com o Estado de Santa Catarina), e a do Mar de Ararapira (ao norte, na divisa com o Estado de São Paulo).
A vazão destas bacias é regular e é regida por fatores como o clima, a orografia e a cobertura vegetal. Os cursos d’água que têm suas nascentes nas encostas da Serra do Mar, possuem seus trechos superiores bem definidos pelas estruturas cristalinas, e águas limpas e enérgicas. Ao alcançarem a planície tornam-se meandrantes, apresentando águas mais turvas, especialmente pela presença de matéria orgânica.
Os cursos d’água principais estão encaixados em linhas de falhas e fraturas. Os rios da área serrana geralmente estão encaixados em vales com perfil transversal em forma de V, devido a uma predominância da erosão vertical. Porém, é freqüente a existência de rochas mais resistentes ao longo do percurso dos rios, formando pequenas planícies aluviais à montante dos pontos de estrangulamento de drenagem. Essas planícies são originadas pela sedimentação fluvial, apresentando um relevo plano em vários níveis.
Entre os rios do litoral, destacam-se o Nhundiaquara, em Morretes e o Cachoeira, em Antonina. Na planície, destaca-se o rio Guaraguaçu, que faz a divisa de Pontal do Paraná com os municípios de Paranaguá e Matinhos.
Bacias de drenagem do litoral paranaense:
I – Mar do Ararapira; II – Baía de Paranaguá: (A) Rio Guaraqueçaba, (B) Rio Serra Negra, (C) Rio Tagaçaba, (D) Rio Cachoeira, (E) Rio Nhundiaquara, (F) Rio Guaraguaçu; III – Baía de Guaratuba: (A) Rio Cubatãozinho, (B) Rio Cubatão, (C) Rio São João; IV - Rio Saí-Guaçu. -
Drenagem Continental
A drenagem continental, associada à pluviosidade, afeta os padrões de variação sazonal dos fatores hidrográficos junto à costa, de modo que as maiores precipitações ocorrem entre os meses de outubro e março, o que faz aumentar a turbidez da coluna d’água. A transparência da água varia próximo de Om nos fundos das baías, a mais de 16m nas desembocaduras, crescendo em direção às áreas mais externas, onde valores de transparência acima de 10m são comuns, com exceção dos meses chuvosos, quando valores abaixo de 10m foram observados desde a costa até as áreas mais externas, aproximadamente a 50km de distância.

Barra do Complexo Estuarino de Paranaguá. Em evidência, as regiões de baixio na entrada do estuário, e a água estuarina adentrando o mar adjacente.
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Estuário
Corpo de água costeiro, semifechado, que tem uma conexão livre com o mar aberto. É fortemente influenciado pela ação das marés, e no seu interior, a água do mar é misturada com a água doce proveniente da drenagem continental, produzindo um gradiente da salinidade.
Os estuários são ecossistemas de grande importância para a costa. São áreas de refúgio, alimentação e reprodução de um grande número de espécies, algumas delas de interesse comercial.
Vista aérea da Ilha do Mel na entrada do Complexo Estuarino de Paranaguá.
(Foto: Denis Ferreira Netto/ SEMA-PR) -
Maré
As marés são produzidas pela força gravitacional da Lua e do Sol. Quando a Lua se alinha com o Sol e a Terra (Lua Nova ou Cheia), a atração conjunta do Sol e da Lua promovem as maiores preamares e as menores baixa-mares, chamadas de marés de sizígia. Quando a Lua sai deste alinhamento, formando um ângulo de 90º (Lua de quarto Crescente e quarto Minguante), os efeitos gravitacionais destes astros se anulam, diminuindo a amplitude entre as preamares e baixa-mares, chamadas de marés de quarto ou quadratura.
As marés possuem a periodicidade em torno de 12h30, fazendo com que as marés altas ocorram cerca de 2 vezes ao dia, sempre 50 minutos mais tarde que o dia anterior. A amplitude das marés pode variar de 30 cm no mar aberto a 15 m em baías estreitas e semifechadas. As marés são influenciadas por muitos fatores, de forma que os padrões das marés variam em diferentes lugares no mundo.
Ilustração: José Claro da Fonseca Neto
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Complexo Estuarino de Paranaguá
O Complexo Estuarino de Paranaguá (CEP) está inserido ao norte da planície litorânea do Estado do Paraná, possuindo uma superfície líquida de 601 km². É um ambiente típico de ingressão marinha, formada pelo afogamento dos vales fluviais, a cerca de 5.600 anos atrás. Geograficamente é considerada uma baía, e oceanograficamente, um estuário. Nela desaguam inúmeros rios, formando estuários menores, e por isso é considerada um complexo.
O CEP está dividido em: Baía de Antonina e Baía de Paranaguá no eixo Leste-Oeste, e Baías das Laranjeiras, de Guaraqueçaba e Pinheiros, no eixo Norte-Sul. Também são encontradas algumas enseadas como as do Benito, Itaquí e Medeiros.
No CEP estão presentes muitas ilhas, e entre elas destacam-se um dos principais centros de visitação do estado, a Ilha do Mel, além das ilhas de Superaguí e da Cotinga, locais por onde se iniciou a colonização do Paraná.
O CEP faz parte do Complexo-Estuarino Lagunar Paranaguá-Cananéia-Iguape, que é considerado um dos maiores estuários do mundo em termos de produção primária. Junto com a Serra do Mar, esta região foi tombada pela Unesco em 1999, como Patrimônio da Humanidade, pois abriga os últimos remanescentes da Floresta Tropical Pluvial Atlântica do Brasil.
Complexo Estuarino de Paranaguá.
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Plataforma Continental Rasa
A plataforma continental interna do Estado do Paraná se caracteriza por ser dominada por sedimentos arenosos e areno-lodosos, com algumas pequenas lajes submersas e fundos consolidados que ocorrem dentro dos setores estuarinos.
Os substratos consolidados estão restritos às poucas ilhas estuarinas rodeadas por costões rochosos, sendo encontrados na Ilha das Palmas, Ilha do Mel, Ilha da Galheta, além dos morros em Caiobá e Guaratuba e nas ilhas costeiras de Figueira, Currais e Itacolomis. Essa variedade sedimentológica oferece uma grande quantidade de habitats marinhos.
Os costões rochosos e outros habitats consolidados, naturais ou artificiais, são importantes do ponto de vista ecológico e socioeconômico, porque concentram alta diversidade específica e biomassa de recursos de interesse humano.
Localização das três ilhas presentes na plataforma continental paranaense.
(Ilustração: José Claro da Fonseca Neto)







