Aspectos Biológicos
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Biodiversidade
Segundo a 8ª Convenção sobre a Diversidade Biológica, que ocorreu em março de 2006 na cidade de Curitiba, a biodiversidade é definida como toda a vida no planeta Terra, incluindo todas as diferentes espécies de plantas, animais e microorganismos, variando entre 10 a 30 milhões de espécies (apenas um pouco mais de um milhão é conhecida).
Mas, incluir somente diferentes indivíduos com características específicas, não consegue abranger a diversidade como um todo, pois toda a variabilidade genética, assim como toda a diversidade de ecossistemas formados pela combinação das espécies, também estão incluídas neste conceito.
Os bens e serviços ambientais oferecidos pela biodiversidade também devem ser considerados, pois são responsáveis por garantir a manutenção da vida no planeta. Isto envolve uma série de relações e processos que vêm sustentando as sociedades humanas há muito tempo, por meio da oferta de alimentos, medicamentos, água e ar limpos, além de outros recursos naturais que sustentam diversas atividades econômicas.
Alguns cálculos demonstram que se tais serviços fossem cobrados da população humana pelo uso, os custos chegariam a ultrapassar 33 trilhões de dólares ao ano (o PIB mundial é próximo de 77 Trilhões). Também entram nesta conta espécies animais e vegetais silvestres, extraídas pela caça, pesca ou corte, assim como as espécies que foram domesticadas, ou cultivadas, nos últimos 10 mil anos.
Entretanto, tais bens e serviços estão sobre ameaça crescente da expanção da atual sociedade, que vem degradando os habitats por meio de poluição, invasão de espécies exóticas e pelas mudanças climáticas, entre outras ações inadequadas.

Conchas de Moluscos
(Foto: José Claro da Fonseca Neto)Caranguejo do Mangue
(Foto: José Claro da Fonseca Neto)

Onça-Pintada
(Foto: sxc.hu)Bosque de Manguezal
(Foto: José Claro da Fonseca Neto)
O Brasil é considerado um país megadiverso, ocupando o primeiro lugar de uma pequena lista de países com esta mesma classificação. Especula-se que cerca de 15 a 20% das espécies do mundo estão aqui. Esta megadiversidade tem uma importância significativa para o país, já que atividades como a agricultura, pecuária, pesca, aquicultura, exploração florestal, silvicultura e turismo estão respondendo, atualmente, por mais da metadade do PIB brasileiro.
A sociodiversidade é outro componente que se considera na biodiversidade. No Brasil, por exemplo, são encontrados mais de 200 povos indígenas, além de uma diversidade de comunidades locais que reúnem um inestimável acervo de saberes/conhecimentos populares que demonstram que a exploração de tais bens e serviços pode ser feita de maneira sustentável.
Há, porém, um paradoxo que necessita ser superado: ao mesmo tempo em que o Brasil possui 20% do seu território reservado para conservação (8%) e para reservas indígenas (12%), além das Áreas de Proteção Permanente (APPs) e Reservas Florestais Legais, também possui uma extensa lista de espécies ameaçadas de extinção, espécies sobre-exploradas economicamente, ecossistemas degradados e recursos genéticos em rápido processo de desaparecimento.
As comunidades indígenas e tradicionais são muito dependentes da biodiversidade por causa do seu modo de vida, sejam elas comunidades pesqueiras, povos da floresta ou povos nômades. Além disso, para muitas dessas comunidades, algumas áreas, espécies e ecossistemas específicos também têm importância espiritual.
Assim, quando esses ambientes sofrem alguma perturbação natural, como terremotos, vendavais, tsunamis e enchentes, ou antrópica, como incêndios, desmatamentos e sobre-exploração de um determinado recurso, são capazes de provocar profundas alterações no modo de vida dessas comunidades que dele dependem.
A manutenção da vida no planeta depende, portanto, de atitudes de todos os setores da sociedade, quer das classes sociais mais abastadas, quanto daquelas mais simples. -
Floresta Atlântica
O Estado do Paraná foi originalmente coberto por Floresta Atlântica em cerca de 83% do seu território, sendo os 17% restante, composto por formações campestres (campos limpos e campos cerrados), restingas, manguezais e várzeas.
Atualmente a cobertura florestal natural do Paraná é de cerca de 18% de seu território, sendo que aproximadamente 10% dele apresenta florestas bem conservadas. A Floresta Atlântica do Estado apresenta três formações fitogeográficas características: a Floresta Estacional Semidecidual, ocupando a porção oeste, onde o principal remanescente é o Parque Nacional do Iguaçu; a Floresta Ombrófila Mista (Floresta de Araucária), que ocupa a região central do Estado, representada por fragmentos que totalizam uma área remanescente de 24% da formação original; e a Floresta Ombrófila Densa, com ecossistemas associados, ocorrendo na porção leste do Estado, cobrindo a Serra do Mar e a Planície Litorânea.
Evolução da utilização da Floresta Atlântica após 500 anos de ocupação.
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Floresta Ombrófila Densa
A Floresta Ombrófila Densa se destaca entre as formações vegetacionais pelo seu bom estado de conservação, sendo atualmente a maior porção contínua de floresta do Estado.
Esta floresta é representada por formações primitivas remanescentes, e por diferentes estágios de sucessão secundária. Estima-se que abrigue mais de 2500 espécies vegetais, além de diversos animais ameaçados de extinção, tais como a onça pintada, a anta, além de aves como o gavião-pega-macaco, a jacutinga e o macuco.
A Floresta Ombrófila Densa possui uma diversidade ambiental resultante da interação de múltiplos fatores, como as massas de ar quente e úmido do Oceano Atlântico, que são condicionadas por elevadas temperaturas, e também a alta precipitação, que é bem distribuída ao longo do ano, e sem um período seco. Isto permite o desenvolvimento de várias formações, cada uma com inúmeras comunidades e associações, caracterizadas por vegetação arbórea, além de lianas e epífitas em abundância, constituindo complexa e exuberante coleção de espécies.Esta unidade é a mais exuberante, heterogênea e complexa do Sul do País, de grande força vegetativa e capaz de produzir naturalmente, de curto a médio prazo, grande volume de biomassa.
Estima-se que a flora arbórea desta Floresta seja representada por mais de 700 espécies, sendo a maioria exclusiva, não ocorrendo em outras unidades vegetacionais. A função que desempenha na região envolve a estabilidade da paisagem, mantendo o equilíbrio da evolução dos ecossistemas associados.
A Floresta foi subdividida em cinco formações ordenadas, refletindo as fisionomias diferentes de acordo à variação altimétrica.Relação dos tipos de Floresta Ombrófila Densa em função da altitude (fonte: Paraná, 2006)
Formação Característica Aluvial Formação ribeirinha ou floresta ciliar que ocorre ao longo dos cursos de água ocupando os terrenos antigos das planícies quartenárias; Terras Baixas De 5 m até os 100 m acima do mar; é uma formação que em geral ocupa as planícies costeiras. Podem estar sobre solos hidromórficos, de drenagem deficientes, constituídos por sedimentos marinhos e flúvio-lacustres pliopleistocênicos, ou sobre solos semi-hidromórficos e não hidromórficos, de melhor drenagem. Sub-Montana De 10 m até 600 m; compreende as formações florestais distribuídas sobre o início das encostas da Serra do Mar. Solos medianamente profundos e apresenta vegetação com altura aproximadamente uniforme. Montana A partir dos 600 m até 1200 m; compreende as formações das porções intermediárias das encostas da Serra do Mar. A estrutura florestal do dossel uniforme (20 m) é representada por ecótipos relativamente finos com casca grossa e rugosa, folhas miúdas e de consistência coriácea. Alta-Montana Situada acima dos limites estabelecidos para a formação montana. São constituídas por associações arbórea simplificadas e de porte reduzido (3-7 metros de altura), onde predominam baixas temperatura, ventos fortes e constantes, elevada nebulosidade e solos progressivamente mais rasos e de menor fertilidade, apresentando acumulações turfosas nas depressões onde se localiza a floresta. Áreas de Refúgio Ecológico
Constitui a vegetação dos cumes das serras, situadas acima do limite da Floresta Ombrófila Densa Alto-Montana ou a ela entremeada. Inclui as formações de campos de altitude, geralmente situadas acima de 1200m, e a vegetação dos afloramentos rochosos dos topos das montanhas (vegetação rupestre), podendo ser caracterizada em paredões rochosos já acima de 1000m.
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Dunas
A areia do litoral é constantemente retrabalhada pela ação das marés, sendo posteriormente carregada pelo vento até ser acumulada nas primeiras linhas de vegetação da beira da praia, formando cordões de dunas. Essas acumulações podem assumir formas linguóides ou dômicas, podendo ser formadas em curto período de tempo. Suas funções incluem a proteção das terras continentais, reservatórios naturais de água, de recursos bióticos, além do interesse científico e de recreação.
Na praia não há o crescimento de vegetação devido à vários fatores: salinidade, pobreza e grande permeabilidade do solo, intensa insolação e ação dos ventos. A vegetação só se desenvolve em áreas não mais atingidas pela preamar de sizígia.
Nestes locais a vegetação é composta de plantas rasteiras psamo-halóftas (psamos = habitat arenosos; halos = habitat salino), com o papel de promover a deposição e a fxação da areia trazida pelo vento. É muito difícil a areia escapar da armadilha formada pela vegetação. Assim, a maior parte da areia retirada da praia, fca retida no primeiro cordão dunar. Estes cordões se formam paralelos à linha de praia e seu crescimento diminui, ou cessa, com o recuo da linha de costa e a formação de novo cordão. As dunas mais antigas e interiores (cordões litorâneos) vão sendo colonizadas por populações de arbustos e pequenas árvores de 3 a 4 metros, oriundas da foresta de restinga que se estabelecem no terreno preparado pela vegetação das dunas interiores.
O ambiente das dunas também oferece proteção e alimentação a vários animais, como a coruja-buraqueira e a batuíra-de-coleira. nas depressões entre cordões próximos à praia, é comum encontrar pequenos peixes represados nas poças, que nelas adentraram pela ação das grandes marés, como o barrigudinho e juvenis de tainhas. Estes, por sua vez, servem de alimento, principalmente para as garças.

Dunas no litoral do Paraná. (Foto: José Claro da Fonseca Neto)
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Restinga
O termo restinga é utilizado por geólogos, botânicos e ecólogos, para indicar as características geomorfológicas e fitogeográficas das regiões costeiras. São formadas pela sedimentação recente da areia e da vegetação que nela se estabelece. Esta região foi formada pelo retrabalhamento dos sedimentos durante o período em que o mar recuava, formando sucessivos cordões litorâneos. Os solos da restinga são de baixa fertilidade natural, facilmente degradáveis, e com um horizonte sub-superficial impermeável, que origina problemas de encharcamento.
A vegetação que aí se instala é considerada uma formação pioneira com influência marinha, caracterizando-se por ser arbustiva densa, de largura variável e de aspecto sub-xeromórfico (xeros = arenoso, seco; morphos = forma). Ela apresenta uma forma característica, de caules com muitas ramificações e densa folhagem, adaptados ao vento e à grande intensidade luminosa.
Nas porções elevadas dos cordões onde a profundidade do lençol freático é maior, e consequentemente, com menos disponibilidade de água para as plantas, encontra-se uma vegetação pouco desenvolvida, com altura variando entre 7 e 9 m, chamada de floresta de restinga seca ou arenosa.
Nas depressões entre cordões ocorre uma vegetação mais desenvolvida, em função da maior proximidade com o lençol freático. Esta região apresenta árvores de 10 a 15m, e é denominada de floresta de restinga úmida ou paludosa.
As espécies de árvores encontradas nas restingas pertencem principalmente à família das Mirtáceas (goiaba, araçá), Mirsináceas (capororoca), Anacardiáceas (aroeira, cupiúva), Clusiáceas (guanandí) e lauráceas (canelas).
Entre as espécies herbáceas-arbustiva que ocorrem à sombra desta vegetação, ou em locais mais abertos, salientam-se as pertecentes à famílias das Gramíneas, Rubíceas (ervas), Orquidáceas, Aráceas (cipós) e Bromeleáceas, além de várias espécies de pteridófitas.O epiftismo na restinga é acentuado, sendo comum as orquídeas, bromélias e cactus. Encontram-se também aquelas plantas que se apóiam em outras para alcançar grandes alturas (lianas), através de contorções e enrolamentos, como os cipós. Entre os cordões de restinga se formam depressões úmidas frequentemente pantanosas, onde crescem Poáceas (paina) e Ciperáceas (tiririca).

Vista da planície arenosa da Ilha do Mel coberta por vegetação de restinga arbustiva.
(Foto: José Claro da Fonseca Neto) -
Manguezal
O manguezal é uma foresta tropical que tem como característica principal crescer em regiões litorâneas protegidas (baías e desembocaduras de rios), sofrendo forte infuência das marés e, conseqüentemente, da água salgada. As espécies que nele vivem são adaptadas a esta condição.
No Brasil, as forestas de manguezal se distribuem desde o cabo Orange no Amapá, até Laguna em Santa Catarina, cobrindo uma área de cerca de 10000 km².
Este ecossistema é caracterizado por apresentar uma cobertura vegetal típica e altamente especializada, que na região do Paraná, está constituída por 3 espécies de árvores: ryzophora mangle (canapuva ou mangue vermelho); laguncularia racemosa (mangue manso ou mangue branco); Avicenia schaueriana (siriuba ou mangue preto). Acompanham estas espécies um pequeno número de outras plantas, tais como o hibisco, a samambaia do mangue além da gramínea que forma o marisma.
Vários animais se reproduzem no manguezal, vivendo ali todo o seu ciclo de vida, ou ficando no local apenas durante seu estágio inicial de desenvolvimento. Estão sempre sob a proteção das raízes das árvores ou em pequenas poças formadas sobre o substrato, sendo sustentadas por detritos e microorganismos bentônicos.
Áreas de manguezal são representativas devido à sua elevada produtividade biológica, uma vez que, pela natureza de seus componentes, são encontrados representantes de todos os elos da cadeia alimentar.
Este ecossistema é extremamente vulnerável devido às suas condições especiais que se mantém em equilíbrio dinâmico. Determinados tipos de alterações podem destruí-los irreversivelmente. Por este motivo é um ecossistema permanentemente protegido por lei Federal.

Perfil de um bosque de manguezal, com as principais espécies
que compõem o ecossistema (Adaptado de Rodrigues, 2006):
(1) Samambaia; (2) Hubisco; (3) Siriuba; (4) Mangue-Manso; (5) Canapuva;
(6) Caranguejo-do-Mangue; (7) Guará; (8) Raízes respiratórias; (9) Marisma. -
Praia
A praia é uma acumulação de sedimentos depositados pelas ondas, geralmente areia, mas também seixos e matacões. Em praias costeiras, estes sedimentos se distribuem desde o limite superior do lavado da onda, estendendo-se através da zona de arrebentação até a profundidade onde as ondas médias podem movimentá-los para a terra.
Possui uma grande quantidade de organismos que passam desapercebidos da maioria das pessoas, em virtude de que seus componentes se encontram tipicamente ocultos na areia ou expostos apenas durante os períodos de baixa-mar.
Representantes da maioria dos grupos de animais marinhos e alguns grupos de animais terrestres, podem ser encontrados no local. As plantas macroscópicas estão praticamente ausentes neste ambiente, predominando diversos grupos de algas microscópicas. As diferenças periódicas de amplitude entre as marés determinam nas praias três faixas distintas: uma superior (supra-litoral), constantemente umedecida por borrifos, mas apenas coberta pelo mar por ocasião de marés altas excepcionais, ressacas e tempestades; uma faixa intermediária (médio-litoral), sempre coberta e descoberta pelas marés duas vezes por dia; e uma faixa inferior (infra-litoral), quase sempre submersa, eventualmente exposta durante as marés baixas de sizígia. Nestas 3 faixas, os organismos marinhos se distribuem em função da sua capacidade de evitar a exposição ao ar, e consequentemente, a perda de água por evaporação.

Esquema de um perfil de uma praia arenosa, com a distribuição da biota ao longo do gradiente de dissecação. (Ilustração: Adaptado de Rodrigues, 1993).
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Costões Rochosos
Os costões rochosos são encontrados na costa ou em ilhas, constituídos por rochas de diferentes tamanhos. Estes substratos estáveis oferecem uma superfície segura sobre a qual podem crescer diversos organismos como esponjas, anêmonas, mexilhões, crustáceos e macroalgas.
As rochas fornecem uma grande variedade de microambientes, com partes expostas e protegidas, em uma arquitetura complexa formada por poças, fendas, saliências, pequenas cavidades e grandes grutas. Cada um destes microambientes oferecem uma possibilidade de ocupação com diferentes requerimentos ambientais.
Junto ao estabelecimento desta comunidade de costão rochoso, ocorre a proliferação de uma diversificada fauna nectônica, constituída principalmente por peixes, que encontram alimentação e refúgio entre as rochas. Uma das principais características de qualquer costão no mundo, quando observados na maré baixa, é a predominância horizontal de bandas ou zonas de organismos. Esta distribuição, denominada de zonação, pode ser explicada através de interações conjuntas e separadas dos fatores físicos (exposição, declividade, dissecação, temperatura ou luminosidade) que atuam principalmente na porção superior do costão, e de fatores biológicos (competição, predação, fixação larval ou herbivoria), que atuam na porção submersa.
A zonação do costão rochoso não é estabelecida com base nas marés, mas pelo estabelecimento de zonas com base no limite de distribuição de certos grupos comuns de organismos. Na região do supra-litoral (até onde os borrifos das ondas alcançam) encontra-se o predomínio do gastrópoda litorinna. A região do médio-litoral é caracterizada principalmente pela presença de cracas e mexilhões. A região do infra-litoral pode ser caracterizada pela presença de ouriços e estrelas.

Esquema de um costão rochoso com a zonação vertical da distribuição dos organismos. (Ilustração: Adaptado de Borzone, 1994)
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Recifes de Coral
Recifes de Coral são estruturas naturais geralmente formadas por organismos do filo Cnidária (águas vivas e anêmonas), que se formam pela superposição de esqueletos calcários, que crescem a uma taxa de 1 a 2 mm por ano.
Podem assumir diferentes formas, como esferas, leques e tabuleiros. Estas estruturas servem também de substrato para um grande número de outros organismos, que aí se desenvolvem em função dos diferentes microhabitats que se formam, como num costão rochoso. Isto lhe confere elevados índices de biodiversidade, e conseqüentemente, de elevada produção biológica, comparados às florestas tropicais. São características de regiões tropicais e subtropicais, sendo o maior a Grande Barreira de Coral situada na porção oeste do litoral do continente australiano.
As comunidades recifais sofrem grande infuência da transparência da água e da temperatura, assim, sua diversidade e complexidade diminuem à medida que se aumenta as latitudes, chegando a desaparecer nas latitudes mais elevadas.
No litoral do Paraná, os recifes se apresentam de forma discreta, com reduzida diversidade e sempre associados às regiões de costão rochoso.

Recifes de coral. (Foto: sxc:hu)
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Fauna
A fauna do litoral paranaense apresenta uma riqueza que refete a diversidade de ecossistemas presentes na região. Eles permitem que diversas espécies de animais, algumas raras ou ameaçadas de extinção, encontrem refúgio.
No período de inverno, oferecem abrigo para a fauna migratória vinda do Sul, devido ao deslocamento da fronteira entre as correntes do Brasil e das Malvinas em direção à região Sudeste-Sul brasileira. Este deslocamento traz águas subantárticas, que são frias e férteis, o que propicia o surgimento de ricas áreas de alimentação para várias espécies entre as latitudes 200 e 400 S.
Por sua vez, as espécies de Verão se deslocam mais para o Norte, esperando o aumento da temperatura para retornar. No levantamento faunístico feito para o Zoneamento da APA de Guaraqueçaba, a Unidade de Conservação de maior área da região, foram apresentados dados que demonstram que a região do litoral paranaense mantém uma elevada biodiversidade.
Mamíferos
Em relação aos mamíferos terrestres são registrados cerca de 70 espécies, incluindo gambás, morcegos, tamanduás, roedores, cachorros do mato, lontras, anta, porcos-do-mato e primatas como o mico-leão-de-cara-preta (leonthopithecus caissara) que é uma espécie endêmica.
Dentre os mamíferos marinhos, são registrados o Boto-Cinza (Sotalia guianensis), a Toninha (Pontoporia blanvillei) e espécies de ocorrência da plataforma adjacente como o Golfinho-Pintado-do-Atlântico (Stenella frontallis), e o Golfinho Comum, (Delphinus sp).
Também é registrado a ocorrência das Baleias Franca (Eubalaena australis), Jubarte (Megaptera novaengliae), Orca (Orcinus orca) e de encalhes de várias espécies de baleias. Nos períodos de inverno, leões-marinhos (Arctocephalus tropicalis) migram das regiões da costa do Uruguai, Chile e Argentina, atingindo o litoral do Paraná.

Grupo de Botos-Cinza na Baía de Paranaguá. (Foto: Nelson Yoneda)
Aves
A região reúne condições favoráveis para abrigar uma avifauna diversifcada. é um importante ponto de parada para espécies migratórias por oferecer locais de reprodução para aves aquáticas coloniais e também por abrigar importantes sítios de alimentação para aves marinhas. Na APA de Guaraqueçaba, são registradas cerca de 341 espéceis, refetindo quase 45% do total registrado para o Estado do Paraná.
Podem ser encontradas espécies endêmicas, como o Papagaio-de-Cara-roxa ou Chauá (Amazonas brasiliensis); espécies migratórias, como os pinguins (sphiniscus magalanicus); diversas espécies de maçaricos e gaivotas rapineiras (skua spp), que migram de regiões antárticas e sub-antárticas até a costa do Paraná e utilizam a desembocadura da Baía de Paranaguá como ponto estratégico de alimentação. Também são comuns espécies costeiras como as gaivotas (Larus dominicanus), os atobás (Sula leucogaster) e as fragatas (Fregata magnifcens), além de um grande número de passarinhos de coloração bastante variada. O Papagaio-Chauá tem na ilha do Pinheiro (PARNA do superagui) seu principal local de pernoite. Diariamente oferece um grande espetáculo ao final da tarde, quando centenas de papagaios retornam de diversos locais ao mesmo tempo.
A observação desta revoada já se tornou uma atração turística. No Verão, é comum o acúmulo de barcos próximos à ilha do Pinheiro. Por este motivo há a necessidade de se estabelecer um mecanismo de controle para evitar o impacto deste tipo de atividade sobre a espécie.


Fragata
(Foto: José Claro da Fonseca Neto)Trinta-Réis
(Foto: José Claro da Fonseca Neto)

Gavião-Carcará
(Foto: José Claro da Fonseca Neto)Coruja-Buraqueira
(Foto: José Claro da Fonseca Neto)Répteis
No litoral do Paraná são encontradas cerca de 50 espécies de répteis, o que configura 32,47% do registrado para o Estado. Na listagem está incluída tanto a presença de serpentes peçonhentas, como a Cobra-Coral (Micrurus corallinus) e a Jararaca (Bothrops jararaca), como de não peçonhentas, como a Cobra-d’água (Helicops sp) e a dormideira (dipsas indica). Também são facilmente observáveis as lagartixas e os lagartos teiú (Tupinambis teguixim).
O Jacaré-de-Papo-Amarelo (Caiman latirostris) pode ser encontrado nos ambientes de baía, embora seja mais característico dos cursos d´água mais interiores, tanto no continente, quanto nas ilhas. A região é frequentada por cinco das sete espécies de tartarugas marinhas conhecidas, como a tartaruga-Verde (Chelonia mydas) e a tartaruga-de-Couro (dermochelys coriacea) .

Filhote de Jacaré repousando em uma lagoa na Estação Ecológica na Ilha do Mel.
(Foto: José Claro da Fonseca Neto)Anfíbios
Os anfíbios têm sua distribuição bastante ligada à topografia e às formações vegetais, sendo a Planície Litorânea a mais rica em diversidade e quantidade de espécies. A maioria delas é bastante especializada e dependente do clima e de microclimas. São registrados para a região da APA de Guaraqueçaba, cerca de 37 espécies, o que representa quase 70% do total registrado para o Estado do Paraná.

Perereca
Peixes
A ictiofauna da região é representada por espécies de água doce, estuarinas e oceânicas. São registrados mais de 313 espécies de peixes, sendo que 66 espécies são consumidas ou comercializadas por 71% da população local. Na região são identificados quatro categorias principais de peixes em função do seu comportamento.
Espécies como o Vobalo Peva (Centropomus parallelus) e Pescada Branca (Cynoscion leiarchus) são típicas do verão; já as tainhas (Mugil sp.) e Bagre-Branco (Netuma barba) são freqüentes no inverno.
Há ainda espécies que se encontram ameaçadas de extinção, como o mero (Epinephelus itajara).
Com relação à ictiofauna de água doce, é relatada a presença de mais de 50 espécies, com um alto grau de endemismo, refletindo uma elevada riqueza. Há também a introdução de espécies exóticas por meio da piscicultura e clubes de pesca, sendo um fato que pode levar à redução dos estoques pesqueiros ou mesmo à extinção de espécies locais.


Robalo
Pescada


Tainha
Mero
Invertebrados
Tanto a fauna de invertebrados terrestres como aquáticos, possui uma diversidade bastante elevada, sendo difícil precisar um número que possa refletir a realidade da região. Algumas espécies chamam a atenção pela beleza, como as borboletas e mariposas. Outras se destacam pelo incômodo que provocam: na serra do Mar enconta-se insetos hematófagos como os borrachudos (família simulidae), e pernilongo; nas regiões próximas aos manguezais são encontrados o mosquito Pólvora (Culicoides spp) e as butucas (família Tbanidae com dezenas de espécies).
As butucas, botucas ou mutucas, se caracterizam por aparecer apenas no início do Verão, entre novembro e dezembro. Seu tamanho, e a intensidade com que ocorrem, podem provocar reações alérgicas. Os invertebrados aquáticos na região se destacam mais no aspecto econômico, como os crustáceos e os moluscos bivalves.
Entre os crustáceos se destacam o Caranguejo-do-Mangue (Ucides cordatus) e o Siri (Callinectes spp), que são coletados pelas comunidades pesqueiras, para consumo e venda. Já os camarões sete-Barbas (Schphopenneus kroyeri) e o Camarão-Branco (Penneu schimitti) são o principal alvo da pesca artesanal na região.
Entre os moluscos, são consumidos a ostra-do-Mangue (Cassostrea rizophora e C. brasiliana), o Mexilhão-do-Costão (Perna perna), o Mexilhão-do-Mangue (Mytela guianensis) e as lulas (Lolligo sp). Outro molusco que se destaca pela sua importância ecológica e ecomômica é o Gusano (Teredo navalis), bivalve que se desenvolve alimentando-se da madeira morta do manguezal, auxiliando a reciclagem da matéria orgânica. Entretanto, suas larvas também podem penetrar nas madeiras das embarcações, o que obriga os pescadores a utilizarem uma tinta “envenenada” para proteger o fundo do barco contra essa espécie. Esta tinta, além do custo elevado, possui uma durabilidade de seis meses, e se configura num impacto crônico para o ambiente pois lança continuamente metais pesados na coluna d’água e no sedimento.







