Aspectos Sociais
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Povos da Pré-História
As populações pré-históricas que se expandiram a partir do continente africano, demoraram cerca de 104 mil anos para atingir o litoral do Paraná, com os registros mais antigos na região datados há pouco mais de 6 mil anos atrás. O grupo que aqui se estabeleceu eram de pescadores-caçadores, circulavam pela costa brasileira entre a Foz do Rio da Prata até a região da Juréia, SP. Ao longo do caminho e do tempo, foram deixando registros da sua passagem, constituídos por grandes amontoados de conchas e ossos. Esses montes de conchas foram designados pelos tupi-guaranis de sambaquis (Tamba = concha; ki/qui/Quiri=montanha).
Como os sambaquis ocorrem em diferentes lugares na planície, é um forte testemunho de que o nível do mar foi diferente em épocas passadas.
As formas e dimensões desses depósitos variam muito, chegando a atingir vários metros de altura e dezenas de metros de comprimento. Eram sempre erguidos próximo às fontes de alimento, quase sempre à beira mar, nas porções mais elevadas.
Nestes locais também ocorriam os sepultamentos dos membros da comunidade. O sepultamento era revestido de todo um ritual elaborado, com centenas de oferendas mortuárias associadas, como machados, colares, enfeites de conchas, e os pertences do morto.

Seputamento encontrado em um sambaqui do litoral do Paraná
com idade aproximada de 3 mil anos.
(Foto: José Claro da Fonseca Neto) -
Colonização
Datam de 1530 os informes de expedições de colonizadores portugueses partindo de Cananéia em direção à Baía de Paranaguá. Eles eram atraídos pelo ouro e pelo aprisionamento dos nativos. Quando o viajante e etnógrafo alemão Hans Stadem chegou à região, em 1554, em virtude do naufrágio do navio que conduzia a expedição do Espanhol dom Diogo de Senabria, já encontrou por aqui colonos portugueses.
A primeira Sesmaria do litoral é datada de 1614, situada na ilha de Superagui. A cidade de Paranaguá foi fundada em 1648 e Antonina já se achava povoada em 1772. Com o aumento da população dessas comunidades, iniciou-se a produção agrícola e a fabricação de utensílios para atender os que ali passavam e se abasteciam, formando-se intenso comércio entre o litoral e o planalto. Existem registros de engenhos de mandioca, arroz, erva-mate, fábricas de aguardente, estaleiros, fornos de caieiras, além de grandes lavouras de arroz, café, banana e mandioca, entre outras.
Em meados do século XIX, o Sul do país foi ocupado por diversas colônias de imigrantes europeus. Em 1852, foi fundada uma colônia na ilha de Superagui, inicialmente com 15 famílias de suíços, franceses, alemães e italianos. Esta colônia teve seu apogeu em 1879 quando a ilha possuía 150 casas. na época,
produzia-se vinho e açúcar, fabricava-se tijolos, havia serraria, estaleiro e inúmeros engenhos para beneficiar café, arroz, mandioca e cana-de-açúcar.Fatores climáticos adversos e o isolamento contribuíram para que a colônia parasse de crescer no final do século XIX. Há a possibilidade de ter sido destruída durante a Revolução Federalista de 1893 e 1894.

Mapa da Baía de Paranaguá de 1664. (Imagem: Lana e Soares, 1994)
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Ocupação Atual
Ao redor dos centros urbanos que se formavam no litoral paranaense no início do século XX, se estabeleceram diversos pequenos povoados que se mantinham com práticas produtivas para a subsistência.
Essas comunidades são compostas, basicamente, de pescadores artesanais e agricultores familiares. Sua origem está na mescla étno-cultural de indígenas e colonizadores portugueses e, em menor grau, de escravos africanos do Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. São consideradas comunidades tradicionais ou Caiçaras.
As comunidades caiçaras se caracterizam, basicamente, pela produção para a subsistência familiar, conjugando a atividade agrícola com a extrativista. Este tipo de produção, assim como o modo de vida, se manteve até meados do século XX.
A partir da década de 50, se instalou na região um intenso processo de apropriação de terras por grandes grupos econômicos, excluindo os produtores locais do acesso à terra. Como alternativa os agricultores passaram a desocupar as suas terras, migrando para fora da região ou ocupando margens de rios ou das baías.
Os que conseguiram ficar, continuaram conjugando a atividade agrícola à pesca, só que agora com uma maior dedicação a esta, que passa a se tornar a principal atividade econômica destas populações, e gradativamente as roças de arroz, feijão e mandioca foram abandonadas, e os caiçaras passaram a depender do mercado para a aquisição de bens de consumo.
Aqueles que foram para as margens dos rios e das baías, passaram a exercer essencialmente a agricultura de subsistência com a banana, constituindo em pequena escala, o principal produto agrícola comercializável.
A extração do palmito, que era destinada ao consumo ou pequeno comércio, passou a ser estimulada pelos donos de fábricas e/ou intermediários, e se tornou uma importante fonte de renda monetária familiar.

Comunidade típica de pesca tradicional no entorno do CEP.
(Foto: José Claro da Fonseca Neto) -
Ciclos Econômicos
A região do litoral paranaense apresentou vários ciclos econômicos desde a sua colonização. Iniciou-se com a exploração do ouro entre os séculos XVI e XVII, que foi interrompido pela descoberta de grandes jazidas do metal nas Minas Gerais. A partir do século XVIII, teve início uma atividade agrícola, com o cultivo de banana, arroz, café, exploração de madeira e palmito, além da pecuária. Todas essas atividades oscilaram ao longo do tempo, em função da baixa produtividade do solo.
Com a criação de diversas unidades de Conservação a partir da década de 80, criaram-se mecanismos de regulamentação para as atividades agrícolas e pesqueiras, junto ao incentivo do plantio do palmito-jussara. Por um lado, estimulou-se práticas alternativas, como a transformação da mandioca e da banana. Por outro, aumentou o uso de agrotóxicos, a extração ilegal de palmito e a introdução de espécies exóticas.
Atualmente, as atividades portuárias são responsáveis pela maior contribuição no
PIB regional, chegando a representar mais de 80%. Há a expectativa de que o turismo possa sustentar um novo ciclo econômico na região, mas como a atividade turística sofre forte sazonalidade, não está sendo mais capaz de arcar com os custos anuais, influenciando negativamente na estabilidade e melhora dos investimentos, o que reflete na diminuição da qualidade da oferta e no aumento dos preços. Atualmente o grande empregador nesta região é o poder público, condição que tem influência direta sobre a qualidade de vida da população permanente.O litoral do Paraná é considerado uma das regiões mais pobres do Estado, com um Índice de desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de 0,76. As atividades portuárias e turísticas são consideradas as mais vigorosas da região, mas não estão sendo capazes de transferir de maneira suficiente, ou proporcional, os benefícios para a população residente, pois atendem mais aos interesses de setores externos à região. No caso do porto, atendem aos produtores e exportadores de outros estados, e setores vinculados.
No caso do turismo, além dos setores econômicos que operam em nível local, os beneficiários principais são os turistas de Curitiba e região metropolitana. Assim, a população permanente, de maneira geral, está condicionada mais ao que vem de fora, do que ela mesma pode produzir, o que por sua vez, limita a possibilidade de buscar uma melhora na sua condição de vida.

Pescadores de Barrancos saindo para trabalhar no início do dia.
(Foto: Claudio Dybas da Natividade) -
Conservação
A integridade natural do litoral do Paraná, tornou a área prioritária para a conservação da biodiversidade. Isto acontece em função do seu mosaico de unidades ambientais, que é um reflexo da existência de fragmentos significativos da Floresta Atlântica bem preservados, e também a ocorrência de grandes áreas coberta de manguezais.
Essa condição de conservação só foi atingida em função das características físicas dos solos e da declividade acentuada da Serra do Mar, que limitaram o uso intensivo e contínuo dos recursos naturais. Isto fez com que a região ficasse à margem do modelo de desenvolvimento adotado nas últimas décadas, onde o padrão de ocupação do território costeiro foi marcado pelo estabelecimento de grandes contingentes populacionais junto à atividade industrial e portuária.
Outra característica importante neste contexto é o fato de que a BR-101 não cruza o litoral paranaense. Embora seu traçado esteja estabelecido, sua construção foi impedida por movimentos ambientalistas na década de 80. Atualmente a BR-101 interrompe o seu traçado na região de Peruíbe, São Paulo, quando se une à BR-116. Após contornar o litoral paranaense pelo planalto de Curitiba, volta à beira do mar, a partir de Barra Velha, Santa Catarina. A manutenção do bom estado de conservação da região, estimulou a criação de várias Unidades de Conservação, principalmente na década de 80, constituindo-se numa extensa rede que cobre cerca de 80% da área do litoral. Na porção Norte, encontra-se a maior área contínua preservada da Floresta Atlântica brasileira, apresentando altos índices de biodiversidade e endemismo, além de várias espécies ameaçadas de extinção.
A importância da região foi reconhecida internacionalmente quando, no ano de 1991, a UNESCO anunciou a criação da primeira reserva da Biosfera em território brasileiro: a reserva da Biosfera Vale do Ribeira-Serra da Graciosa, que inclui praticamente toda a área da Floresta Atlântica no Brasil. Em 1999, a UNESCO declara a região do litoral paranaense um Patrimônio Mundial da Natureza.
Em 2002, o programa de Avaliação das Áreas Prioritárias para a Zona Costeira e Marinha considerou a região costeira paranaense como área da categoria de extrema importância. Neste contexto, se destaca o arquipélago de Currais, que é um importante sítio de nidificação de atobás e fragatas. Desde 2002, há o interesse governamental em transformá-lo em um Parque Nacional Marinho.
Embora a atividade turística esteja ocorrendo nas UCs, poucas estão preparadas para o atendimento dos visitantes. A maioria das UCs recebe visitação de forma não ordenada, como é o caso do Parque Nacional de Superagui, onde a visitação não está legalmente liberada, mas já é possível se encontrar indícios de impactos oriundos de atividades turísticas. Das unidades federais presentes, apenas a APA de Guaraqueçaba tem seu plano de manejo efetivado até o momento. Em relação às UCs estaduais, apenas quatro possuem plano de manejo.
Unidades de Conservação do litoral Paranaense:








