{"id":1027,"date":"2025-01-29T17:14:13","date_gmt":"2025-01-29T20:14:13","guid":{"rendered":"https:\/\/rebimar.ejulianoti.com.br\/?p=1027"},"modified":"2025-04-30T17:32:46","modified_gmt":"2025-04-30T20:32:46","slug":"grande-reserva-mata-atlantica-passa-por-um-check-up-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/grande-reserva-mata-atlantica-passa-por-um-check-up-de-saude\/","title":{"rendered":"Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica passa por um check-up de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><em>Dezenas de pesquisadores, ligados ao Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (REBIMAR),<\/em><\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>investigaram a qualidade e os riscos para esse ambiente<\/em><\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-708\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Monitoramento_Caranguejo_13112021-2-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Monitoramento_Caranguejo_13112021-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Monitoramento_Caranguejo_13112021-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Monitoramento_Caranguejo_13112021-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Monitoramento_Caranguejo_13112021-2-1536x1024.jpg 1536w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"708\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n<p><em>Foto: Gabriel Marchi.<\/em><\/p>\n<p>A Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 um \u2018organismo\u2019 gigantesco que envolve mais de 2.7 milh\u00f5es de hectares, sendo 2.2 milh\u00f5es deles de \u00e1rea marinha. O territ\u00f3rio abriga o maior trecho cont\u00ednuo remanescente deste bioma no mundo, em uma natureza exuberante e riqu\u00edssima, protegida em 66 unidades de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 foco de atua\u00e7\u00e3o do conjunto de cientistas envolvidos no Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (REBIMAR), desenvolvido pela Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil com patroc\u00ednio do Governo Federal e da Petrobras.<\/p>\n<p>Os pesquisadores s\u00e3o ligados a institui\u00e7\u00f5es como Universidade Federal do Paran\u00e1 (<a href=\"about:blank\">UFPR<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.cem.ufpr.br\/portal\/\">CPP-CEM<\/a>), Universidade Estadual do Paran\u00e1 (<a href=\"https:\/\/www.unespar.edu.br\/\">UNESPAR<\/a>), Universidade de S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">USP<\/a>), Universidade Estadual Paulista (<a href=\"https:\/\/www2.unesp.br\/\">Unesp<\/a>) e Instituto Federal do Paran\u00e1 (<a href=\"https:\/\/reitoria.ifpr.edu.br\/\">IFPR<\/a>). Al\u00e9m de profissionais com longa experi\u00eancia, o REBIMAR integra jovens cientistas, que desenvolvem disserta\u00e7\u00f5es e teses, e estagi\u00e1rios.<\/p>\n<p>O trabalho come\u00e7ou em 2010 com o projeto de instala\u00e7\u00e3o de recifes artificiais para auxiliar a recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha e dos estoques pesqueiros no litoral do Paran\u00e1. Desde ent\u00e3o, o REBIMAR vem ampliando as frentes de estudo e a\u00e7\u00e3o, que atualmente envolvem manguezal, mero, tartaruga-marinha, raia-viola, tubar\u00e3o-martelo, caranguejo-u\u00e7\u00e1, micropl\u00e1stico e educa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Ao longo desses 13 anos, o desafio dos cientistas foi unir as pesquisas e compreender como est\u00e1 a sa\u00fade \u00fanica dessa exuberante regi\u00e3o e das \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o com o mar. \u201cO REBIMAR s\u00e3o v\u00e1rios projetos trabalhando em conjunto. Isso nos trouxe v\u00e1rias discuss\u00f5es sobre como juntar todos esses elementos e entender todo o status de conserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o olhando esses fragmentos\u201d, explica Andr\u00e9 Cattani, coordenador geral do projeto.<\/p>\n<p>Com essa proposta de fazer um \u2018Diagn\u00f3stico da Sa\u00fade Ambiental da Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica\u2019, o REBIMAR alinha-se ao <a href=\"https:\/\/www.who.int\/publications\/i\/item\/9789240059139\">Plano de A\u00e7\u00e3o Conjunta para a Sa\u00fade \u00danica<\/a> para 2022 a 2026, elaborado pela\u00a0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade Animal (WOAH) e pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>O conceito de Sa\u00fade \u00danica (One Health) tem recebido aten\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos da comunidade cient\u00edfica devido ao aumento da frequ\u00eancia e gravidade das amea\u00e7as que afetam as interconex\u00f5es entre a sa\u00fade de humanos, animais, plantas e o meio ambiente.<\/p>\n<p>\u201cPara pensar em como trabalhar a sa\u00fade do ecossistema no futuro, precisamos saber como est\u00e1 a sa\u00fade dele hoje, quais s\u00e3o os elementos e a condi\u00e7\u00e3o da fauna e da flora, que servi\u00e7os ambientais essa regi\u00e3o est\u00e1 provendo e como as pessoas usam e se conectam com esses recursos ecol\u00f3gicos\u201d, complementa Camila Domit, coordenadora t\u00e9cnica das a\u00e7\u00f5es com tartarugas-marinhas.<\/p>\n<p>Em pesquisas entrela\u00e7adas, o REBIMAR comp\u00f4s uma importante e in\u00e9dita base de dados. Primeiro o projeto mapeou a regi\u00e3o e levantou o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas j\u00e1 existentes. Depois disso, foi preciso escolher alguns elementos que tragam indicadores de qual \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o atual e como as mudan\u00e7as est\u00e3o ocorrendo ao longo do tempo.<\/p>\n<p>\u201cA metodologia desenvolvida pelo REBIMAR para mapear a sa\u00fade geral de um territ\u00f3rio t\u00e3o extenso \u00e9 algo novo. O princ\u00edpio de sa\u00fade \u00fanica e a conex\u00e3o de toda biodiversidade a esse contexto \u00e9 o caminho que guia o REBIMAR\u201d, enfatiza Cattani.<\/p>\n<p><strong>Mapeamento dos manguezais<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/9ca9nrETvqaEUl4WR0g7bhNT6BtHCiEU_iepE3-AlV4jhvPamjJa20MUgZ4-i2XY4XxhEGuiXTlAC4wJK5i87XIMm0la3L7hEZQXOpMnPkOX3o8Lzri_BTrBLUyGhc5tk5KASFKp6T32k989WDbb\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p><em>Foto: Gabriel Marchi.<\/em><\/p>\n<p>Os manguezais foram profundamente avaliados nos \u00faltimos dois anos em frentes diferentes.\u00a0 Pelo ar, um mapeamento por sat\u00e9lites e drones, em parceria com o Laborat\u00f3rio de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (<a href=\"https:\/\/lageamb.ufpr.br\/\">LAGEAMB \u2013 UFPR<\/a>) levantou dados in\u00e9ditos. Foram mapeados 48.8 mil hectares de manguezal, sendo 41% no Complexo Estuarino de Paranagu\u00e1 (PR), 31% na regi\u00e3o de Canan\u00e9ia-Iguape (SP), 16% na Ba\u00eda de Babitonga (SC) e 12% na Ba\u00eda de Guaratuba (PR).<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPercebemos uma diferen\u00e7a grande e negativa na Ba\u00eda de Babitonga, infelizmente. Partimos ent\u00e3o do pressuposto que os manguezais de l\u00e1 podem estar com uma degrada\u00e7\u00e3o maior, ao levar em conta o vigor da vegeta\u00e7\u00e3o e outros fatores. Os resultados apontam que os manguezais da Ba\u00eda de Guaratuba, de Paranagu\u00e1 e da regi\u00e3o de Canan\u00e9ia-Iguape possuem \u00edndices pr\u00f3ximos, apontando condi\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias de conserva\u00e7\u00e3o\u201d, esclarece a ge\u00f3grafa Laura Krama.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/9XOZkrfW1fvk-Htk-CbxCHl4LJgmVpuh6C_Ypux8TgfGWCf6wySZNHCHEyUN1qMFarOssYZ9d3tOhstk5exqGKvP21J1b9OraGspv0tgAzcWbOiMSOoiPr8QRsRn4kXFBZ9947QHKanTXZmbtlcS\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p><em>Mapa: Laborat\u00f3rio de Geoprocessamento e Estudos Ambientais da UFPR (LAGEAMB-UFPR)<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 em Guaraque\u00e7aba, os resultados surpreenderam o grupo porque apresentaram dados \u2018menos saud\u00e1veis\u2019 do que na regi\u00e3o de Paranagu\u00e1 que abriga o segundo maior porto do Brasil. \u201cFizemos v\u00e1rios outros testes e m\u00e9todos e o resultado foi confirmado\u201d, enfatiza a pesquisadora.<\/p>\n<p>Para o ge\u00f3grafo Otac\u00edlio Lopes da Paz, mapear os manguezais em escala de detalhe facilita muito estabelecer padr\u00f5es para contribuir com a conserva\u00e7\u00e3o, o planejamento e at\u00e9 mesmo a restaura\u00e7\u00e3o. \u201cA expans\u00e3o urbana e portu\u00e1ria, desmatamento, polui\u00e7\u00e3o h\u00eddrica e outras atividades humanas representam amea\u00e7as a esse ecossistema. Para lidar com essas press\u00f5es, \u00e9 fundamental uma governan\u00e7a eficaz com aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental, fiscaliza\u00e7\u00e3o, monitoramento, ordenamento territorial e melhorias no saneamento b\u00e1sico\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>P\u00e9 na lama para conferir de perto a sa\u00fade dos manguezais<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/rj71dZqQb1D5LlfUh2hHheFTQPb6Ja3GyornWGPEvuM4klGnHVteU_SU2DVOAfKZdo4tzCW8UoOaT3KcMqbw_3hGFx0wj0m2wpQ5tu7FZ7WszPgOec-EEqOqrn_c-nvlxKMn4-YEZBWWJxpUrR52\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p><em>Foto: Gabriel Marchi.<\/em><\/p>\n<p>Em solo, outros grupos do REBIMAR acompanham a sa\u00fade de esp\u00e9cies da fauna e da flora, priorizando lugares mais conservados. Uma equipe monitora e mede os mesmos troncos, as mesmas \u00e1rvores e as mesmas \u00e1reas para entender a din\u00e2mica do manguezal ao longo do tempo.<\/p>\n<p>\u201cUm dado interessante \u00e9 que temos registrado mais impactos naturais, o que mostra j\u00e1 estarmos num per\u00edodo de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com aumento de eventos extremos. Eu monitoro essas \u00e1reas desde 2001 e nesta \u00e9poca n\u00e3o havia tantos raios e vendavais. Isso se agravou de 2008 a 2011\u201d, comenta Mar\u00edlia Cunha Lignon, coordenadora do Ecossistema Manguezal.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/MTAw2EuMbb7Mx83frwSOU2uunLCceQ-0x4DrQLa9Ooou9hXwaBz23VL_0Rwb_hzxbgR4DSOib0G6jshRr5vBHvbrc7Ff20u9j-BGNs-qTwqeXuNbccD6xmcHXZGGlEUeRWRUehDJq-KJiCYaWRLF\" width=\"273\" height=\"195\" \/><\/p>\n<p>Um dos espa\u00e7os acompanhados foi atingido por um ciclone, em 2019. Quando a equipe chegou ao local, viu uma cena de destrui\u00e7\u00e3o, com \u00e1rvores arrancadas e muita vegeta\u00e7\u00e3o morta. Apesar da cena triste, isso abriu a oportunidade \u00fanica de acompanhar a recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, ao longo dos anos. \u201cFoi poss\u00edvel acompanhar o tempo da natureza e sua regenera\u00e7\u00e3o. Observamos que a recupera\u00e7\u00e3o dos manguezais \u00e9 bem mais r\u00e1pida quando o entorno \u00e9 preservado\u201d, diz Lignon.<\/p>\n<p>O comparativo \u00e9 poss\u00edvel porque a equipe acompanha outra \u00e1rea onde h\u00e1 um impacto constante da a\u00e7\u00e3o humana, em Iguape (SP). \u201cCom o canal artificial de Valo Grande, observamos um aumento muito alto de necromassa, composta por \u00e1rvores e troncos mortos. N\u00e3o h\u00e1 recupera\u00e7\u00e3o natural porque o efeito n\u00e3o cessa. \u00c9 o que chamamos de um evento cr\u00f4nico\u201d, explica a pesquisadora.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/uAzLHnII0O6PIOr1O3HL1sAf2D0rJI-ZXfrkYcEoDX9FMTGWO93wdZ4XhE5hZCpEBaWG3uf774Vuqe8iuK8p-NuhhluW1_LjOBtHO28EFS0zrRcMWb2YLlSn6v6eW-RRRI8-S3ytrDJB_MEO1m3a\" width=\"283\" height=\"202\" \/><\/p>\n<p>Quando foi aberto, no s\u00e9culo 19, o canal tinha 4,4 metros de largura. Hoje, est\u00e1 com 300 metros gerando diversos impactos, com redu\u00e7\u00e3o da salinidade e mortandade gigante de floresta de mangue ao longo do tempo. \u201cOs dados da pesquisa apontam 102 toneladas de \u00e1rvores e troncos mortos por hectare no Valo Grande 1 e 2. Em nenhum outro lugar tem tanta necromassa assim\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ajuda de pescadores e a identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies invasoras<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/hLVJ1eScqOze4-xhxCwyttA1bwPhXWG9adL2WhF6GWXGv2nqt9PVdFU-3PskYE_xIi-WGHugUylsgHTuytI-25F5SISCh7G-PKxiv2V2eWm6XCmKzW17Ox7MLVfjqj0Ib0PVsxX11iEb0K9GF7m7\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p><em>Foto: Gabriel Marchi.<\/em><\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o dos pescadores foi fundamental para outra frente de pesquisa, a coleta peri\u00f3dica de amostras de juvenis de peixes e crust\u00e1ceos em pontos de dif\u00edcil acesso para cientistas. \u201cEles nos ajudaram muito porque conseguimos n\u00fameros grandes de amostras. N\u00e3o conseguir\u00edamos fazer a pesquisa sem a ajuda dos pescadores. Seria um custo financeiro e de tempo gigante, al\u00e9m dos fatores clim\u00e1ticos que s\u00e3o complicados, e muitas vezes nos impedem de ir at\u00e9 o local de coleta. Essa \u2018ci\u00eancia cidad\u00e3\u2019 com a parceria dos pescadores foi essencial para melhores resultados\u201d, comenta Cl\u00e1udia Namiki, consultora de Ictiopl\u00e2ncton (ovos e larvas de peixes).<\/p>\n<p>O trabalho feito em parceria com os pescadores, confirmou a presen\u00e7a de duas esp\u00e9cies invasoras inclusive em unidades de conserva\u00e7\u00e3o: um peixe e um crust\u00e1ceo, o que acendeu um sinal de alerta. \u201cA grande quantidade dessas esp\u00e9cies \u00e9 um indicador de desequil\u00edbrio do ambiente\u201d, ressalta a especialista.<\/p>\n<p>\u201cAs esp\u00e9cies invasoras competem por recursos e espa\u00e7o com esp\u00e9cies nativas, muitas vezes expulsando animais de seu habitat. E os invasores tem vantagens competitivas porque n\u00e3o t\u00eam predadores naturais. Isso explica porque se reproduzem t\u00e3o r\u00e1pido\u201d, explica Namiki.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/JMoQwZKWZNduIBcaolQOxAEeMaQbMD89zkus2e4DS_Ue4I8UfmXV5shfwByhLKGTWn3_A8Ae8zrs6oclfaG4bTOmBw3069GAfxnjTSAkhJLDFJGUBvzVPK2VZpF0vSDoGxbUFP51uXlRnoucab8y\" width=\"263\" height=\"197\" \/><\/p>\n<p>Uma das esp\u00e9cies \u00e9 o peixe <em>Opsanus beta<\/em>, esp\u00e9cie natural no Golfo do M\u00e9xico e na costa dos Estados Unidos, O peixe-sapo, pelo nome popular, \u00e9 resistente, territorial e agressivo. \u00c9 poss\u00edvel que tenha chegado ao Brasil pela \u00e1gua de lastro dos navios. \u201cAinda \u00e9 cedo para avaliar os riscos dessas esp\u00e9cies dominarem grandes espa\u00e7os, \u00e9 preciso antes entender os impactos que est\u00e3o por tr\u00e1s dessa presen\u00e7a constatada\u201d, afirma Namiki.<\/p>\n<p>A outra esp\u00e9cie invasora identificada nas armadilhas, \u00e9 o siri <em>Charybdis hellerii<\/em>, conhecido como siri-capeta. \u201cFiz o primeiro registro em 2010, na \u00e1rea do Porto de Paranagu\u00e1, desde ent\u00e3o o bicho se estabeleceu por aqui e est\u00e1 se alastrando, os registros s\u00e3o cada vez mais numerosos. A \u00fanica a\u00e7\u00e3o de controle est\u00e1 sendo feita pelo Terminal de Cont\u00eaineres Paranagu\u00e1 (TCP), mas a continuidade do monitoramento vai indicar se est\u00e1 sendo efetiva ou n\u00e3o\u201d, afirma Cassiana Baptista Metri, coordenadora da fauna de manguezal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/kf1l25RwTD7kED4QIqy7XfrBbKAxvFToC5j_4_ywP0ohkls55m-1QjcFrVVzZwmx-jLdZgDwn55SwHMCdMRnJiGe0C60TQ3t22-8oYvi0SKUx534Jc9NipqjFdxEtYpg0wJF4fIPTz-PazDqWkGV\" width=\"303\" height=\"211\" \/><\/p>\n<p>O relato dos pescadores \u00e9 que est\u00e1 cada vez mais abundante e, apesar de ter um tamanho m\u00e9dio, o gosto n\u00e3o \u00e9 bom e tem pouca carne. \u201cO principal problema dele no momento \u00e9 a competi\u00e7\u00e3o com as esp\u00e9cies nativas, mas se come\u00e7ar a competir com as esp\u00e9cies comerciais haver\u00e1 um baita impacto socioambiental, uma vez que dificilmente se consegue erradicar esses invasores. O risco com o <em>Charybdis hellerii<\/em> \u00e9 amea\u00e7ar a pesca do siri na Ba\u00eda de Paranagu\u00e1\u201d, alerta Metri.<\/p>\n<p>O siri-capeta \u00e9 natural do Oceano Pac\u00edfico e a primeira introdu\u00e7\u00e3o foi registrada no Caribe pela \u00e1gua de lastro e pelo casco dos navios. Atualmente h\u00e1 estudos que apontam que ele j\u00e1 se espalha mundialmente pelas correntes mar\u00edtimas.<\/p>\n<p><strong>Micropl\u00e1sticos<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/JtNY5SKT_FQMWrtTzt1PMHig9czmkPd9k0-7oQuH7vpxb-PCwOx9TSZ_n7krd2i3_LSo8-SaBJRwQBGEYU_kyrLpJCsQPaXI5EzZf992EhIHlCeoXnV962TuNlpjcbJwMvrlcRnQ4JD4LJ59XIm6\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p><em>Foto: Gabriel Marchi.<\/em><\/p>\n<p>Um assunto pouco estudado at\u00e9 ent\u00e3o era a presen\u00e7a de micropl\u00e1sticos na Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica, especialmente na superf\u00edcie da coluna de \u00e1gua. Uma parceria firmada com professores-pesquisadores do Instituto Federal do Paran\u00e1 (IFPR) permitiu entender a sua distribui\u00e7\u00e3o e como eles coexistem com as esp\u00e9cies acompanhadas.<\/p>\n<p>\u201cNem as unidades de conserva\u00e7\u00e3o do litoral escapam dos impactos, o lixo n\u00e3o reconhece fronteiras. J\u00e1 nas primeiras amostragens encontramos a presen\u00e7a de micropl\u00e1stico em todos os setores, com uma distribui\u00e7\u00e3o variada desde Antonina, na regi\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 Guaraque\u00e7aba, at\u00e9 a desembocadura perto do Canal da Galheta e a Ilha do Mel\u201d, informa Allan Paul Krelling, coordenador da pesquisa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/WnCwEwe6aiUaIfJbclvNf5JO2cQlqAwj1cHs8Nn7mX85hhV2BFvRAPnbUBQewTEr8v6kB9JZzMpla02Ra_WgoeDWctAt8R-z6CofB4g9qlMbE1vSoG6ooWkZuJHTNd_qxLzPZpP4lL6OL5954pcR\" width=\"288\" height=\"192\" \/><\/p>\n<p>Para o pesquisador, significa que h\u00e1 um estressor a mais para o ambiente. \u201cAs larvas e os juvenis dos animais que buscamos conservar est\u00e3o sob um risco adicional com todos esses componentes pl\u00e1sticos que podem ser absorvidos\u201d.<\/p>\n<p>A partir da dificuldade da importa\u00e7\u00e3o de materiais de pesquisa, como a rede coletora, a equipe criou novas oportunidades com a cria\u00e7\u00e3o de uma rede totalmente nacional para coleta de micropl\u00e1stico. Para importar a rede custaria cerca de 56 mil reais. A vers\u00e3o nacional custou menos de mil reais.\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/rQapzd9uxmVTJQX89u2VgfG7GdtVaKjt9xno7anPZnsmEe6Tp0gFHUHonA3Rc3s1-JYCOvB1lSqUIRh9ckZpmqd96w3-LtRO9-ztiA5X1jS-EQEesMK0oJG238gn2pEvvz8-rak1wwhIXEU-9nfe\" width=\"208\" height=\"278\" \/><\/p>\n<p>A rede, batizada de NOIVA (Novo objeto de Investiga\u00e7\u00e3o Ambiental), recebeu tr\u00eas premia\u00e7\u00f5es na 21\u00aa Feira Brasileira de Ci\u00eancias e Engenharia (Febrace 2023), considerada o maior evento cient\u00edfico estudantil do Brasil. \u201cA rede foi baseada em metodologia internacional, mas com baix\u00edssimo custo de produ\u00e7\u00e3o. Outras universidades j\u00e1 nos procuraram para usar o modelo nas pesquisas com micropl\u00e1stico\u201d, comemora o ocean\u00f3grafo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o professor comemora o grande envolvimento de alunos na pesquisa, est\u00e3o diretamente envolvidos cerca de 30 estudantes do Curso T\u00e9cnico em Meio Ambiente e do curso superior em Gest\u00e3o Ambiental. \u201c\u00c9 a forma\u00e7\u00e3o de recurso humano, com pessoas engajadas que olham a \u00e1rea de pesquisa e conserva\u00e7\u00e3o como profiss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Os resultados das an\u00e1lises indicam que a maioria dos micropl\u00e1sticos tem origem secund\u00e1ria, ou seja, degradaram de grandes itens. Isso mostra que a frente de atua\u00e7\u00e3o deve acontecer no macropl\u00e1stico. \u201cIsso d\u00e1 uma diretriz para que as pol\u00edticas p\u00fablicas foquem em saneamento adequado, destina\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos das cidades. \u00c9 preciso olhar para o descarte de grandes itens\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs dados d\u00e3o tamb\u00e9m um novo panorama para as a\u00e7\u00f5es do Rebimar V que vai focar no lixo no mar de maneira geral, para entender as fontes de entrada e os fluxos a partir dos rios e outras fontes, abrangendo mais \u00e1reas da Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Tartarugas marinhas como sentinelas<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/7DwSIYHBTzFqdfwtbdPdujvOMlesQwG1Mc2STRak9dVzjWh9YVmzM4JiQrzxFpc4VaTuW-Wcvn4ycv_qvNhQni0ipfTp3HVKUsi1LEyQ1Z0Fh3UCpFUgn4AoHm7lohpUtPs72Wh3Onpt2MNbfahr\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p>O projeto monitora as Tartarugas-verde (<em>Chelonia mydas<\/em>), na regi\u00e3o do Complexo Estuarino de Paranagu\u00e1, desde 2018. A escolha da esp\u00e9cie foi pelo fato dela ser uma sentinela, que reflete a sa\u00fade do ambiente onde ela est\u00e1 e as condi\u00e7\u00f5es que afetam outras esp\u00e9cies, incluindo os recursos pesqueiros.<\/p>\n<p>As tartarugas que frequentam o litoral paranaense, em geral, s\u00e3o juvenis, entre dois e oito anos de idade e t\u00eam ficado longos per\u00edodos na regi\u00e3o das Ilha das Cobras e na \u00e1rea mais interna do Estu\u00e1rio que \u00e9, de certa forma, positivo em termos de coleta de dados, mas negativo pela exposi\u00e7\u00e3o a uma \u00e1gua mais contaminada da regi\u00e3o portu\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cTemos observado um n\u00famero cada vez maior de animais com Fibropapilomatose. O conhecimento cient\u00edfico tem nos demonstrado que a doen\u00e7a realmente \u00e9 consequ\u00eancia de um ambiente mais degradado. Com a polui\u00e7\u00e3o, o animal fica imunodebilitado e mais exposto a uma propaga\u00e7\u00e3o maior do v\u00edrus\u201d, avalia a bi\u00f3loga Camila Domit.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/JjgEJL-aUIBUgI-9-hp8NtywN4Ll5IKidJdsuUHKb_Pw1vG6an5Cd3qh8ALnjsHMG_PnmsYCJhubWPr95XywM8LbGj23dcDcBG5W1nI0SNCUUNi6sQo01CAEl13_0nUq24HFF7Ug1WWG6dQoTXcN\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p>A Fibropapilomatose forma m\u00faltiplos tumores de pele e pode tamb\u00e9m afetar \u00f3rg\u00e3os internos e a reprodu\u00e7\u00e3o. A pesquisa comprova que essa condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade das tartarugas tem piorado ao longo do tempo, com um \u00e1pice negativo em 2018, que coincide com o per\u00edodo das obras de dragagem de aprofundamento no Porto de Paranagu\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o resultados importantes nesse contexto de sa\u00fade. Fala-se muito na dragagem como um potencial disseminador de contaminantes na ba\u00eda e esses dados, de alguma maneira, trazem suporte cient\u00edfico, evidenciando a piora das condi\u00e7\u00f5es ambientais na \u00e1rea neste ano, com maior preval\u00eancia da doen\u00e7a nas tartarugas marinhas. E foi o REBIMAR que nos possibilitou esse monitoramento\u201d, ressalta a coordenadora da pesquisa.<\/p>\n<p>Alguns animais s\u00e3o capturados desde 2014, ent\u00e3o h\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o robusta para confirmar que h\u00e1 piora nas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade ao longo do tempo, com as tartarugas mais suscet\u00edveis a doen\u00e7a. \u201cPodemos dizer que as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade est\u00e3o piorando, temos visto animais mais magros, doentes e com altera\u00e7\u00f5es no sistema imunol\u00f3gico, apresentando caracter\u00edsticas de animais que est\u00e3o cada vez mais estressados\u201d.<\/p>\n<p>A especialista conta que algumas j\u00e1 est\u00e3o at\u00e9 acostumadas com as \u2018consultas\u2019.\u00a0 \u201cElas j\u00e1 v\u00eam na rede tranquilas, d\u00e3o o bracinho para a coleta de sangue, como se quisessem ser liberadas r\u00e1pido.\u201d<\/p>\n<p>Outro aspecto importante aponta para a mudan\u00e7a na alimenta\u00e7\u00e3o das tartarugas-verdes, resultado da disponibilidade de alimento e da qualidade do ambiente. \u201cAs tartarugas do litoral paranaense se alimentavam principalmente de grama marinha, um ecossistema muito nutritivo que \u00e9 formado por uma grande variedade de esp\u00e9cies de fauna e flora e que s\u00e3o sumidouros de carbono importantes\u201d, explica Domit.<\/p>\n<p>Mas no litoral, j\u00e1 restam poucas \u00e1reas de grama marinha, ambiente que foi muito alterado nos \u00faltimos anos. \u201cTemos agora um grupo bem pequeno comendo grama. O restante dos animais passou principalmente a Ulva, uma alga verde muito presente em ambientes degradados pela a\u00e7\u00e3o humana. Isso n\u00e3o \u00e9 bom. S\u00f3 pela dieta da tartaruga j\u00e1 sabemos que tem alguma coisa errada no ecossistema\u201d, conclui a pesquisadora.<\/p>\n<p>Com base nos resultados alcan\u00e7ados pelo Programa REBIMAR IV, o grupo de cientistas vai aplicar os preceitos de Sa\u00fade \u00danica (One Health) e os indicadores adaptados da iniciativa internacional <a href=\"https:\/\/www.healthyreefs.org\/cms\/\">\u2018Recifes Saud\u00e1veis para Pessoas Saud\u00e1veis\u2019<\/a>, aplicando a metodologia do <a href=\"https:\/\/institutolife.org\/pt-br\/\">Instituto Life<\/a> para o estabelecimento de indicadores-chave que possam ser monitorados ao longo do tempo como forma de avalia\u00e7\u00e3o da sa\u00fade ambiental da Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/P8xFIxRNJbuLZ7gRP_jGtr4h48DjtTSPlmqVUX1hjYwV4lHPfpPtftfB8DBTGJakwR5wQbdhH8ZrPjAcoMzQ1851b4xVzibCb33y1vRC6NOwNIEW1u7_q65I_AMvkQLRioVmAjAW3IcE-0aan7g8\" alt=\"\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dezenas de pesquisadores, ligados ao Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (REBIMAR), investigaram a qualidade e os riscos para esse ambiente Foto: Gabriel Marchi. A Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 um \u2018organismo\u2019 gigantesco que envolve mais de 2.7 milh\u00f5es de hectares, sendo 2.2 milh\u00f5es deles de \u00e1rea marinha. 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