{"id":1029,"date":"2025-01-29T17:14:12","date_gmt":"2025-01-29T20:14:12","guid":{"rendered":"https:\/\/rebimar.ejulianoti.com.br\/?p=1029"},"modified":"2025-04-30T17:32:54","modified_gmt":"2025-04-30T20:32:54","slug":"as-surpresas-da-pesquisa-em-manguezais-pantanos-surpreendentes-que-assustam-e-encantam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/as-surpresas-da-pesquisa-em-manguezais-pantanos-surpreendentes-que-assustam-e-encantam\/","title":{"rendered":"As surpresas da pesquisa em manguezais, p\u00e2ntanos surpreendentes que assustam e encantam"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><em>Caranguejo mutante, parasita \u201calien\u201d, \u201careia movedi\u00e7a\u201d, gavi\u00e3o-caranguejeiro, m\u00e3o-pelada s\u00e3o<\/em><\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>algumas curiosidades encontradas por pesquisadores<\/em><\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n<p>Em filmes um pouco mais antigos era comum cenas de a\u00e7\u00e3o envolvendo as temidas areias movedi\u00e7as. Mocinhos e vil\u00f5es ficavam presos no solo mole e, quanto mais se mexiam, mais afundavam. No litoral brasileiro, pesquisadores do <a href=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/\">Programa Rebimar<\/a>, patrocinado pela Petrobras e pelo Governo Federal, enfrentam desafios parecidos nos manguezais. Para chegar em alguns pontos, eles precisam literalmente evitar serem engolidos junto com os equipamentos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil atolar at\u00e9 ficar complemente imposs\u00edvel se mover. O jornalista e documentarista do Rebimar, Gabriel Marchi, j\u00e1 atolou algumas vezes com o equipamento pesado. \u201cS\u00f3 n\u00e3o atola quem nunca foi. Eu afundei at\u00e9 a cintura. Foi desesperador\u201d, conta ele. (confira o v\u00eddeo <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1DLcqY-UIVoiGZN6bRaeL73CubjtN5avk\/view?usp=drive_link\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/7-SzOK2qd3fcYJfaeimzsDgWnbgMlcUxNiCTb5mVmm-J6hi6AALOE0nkuToClaaOdG0bnyPRxRp4mflCt1OYkeXYWb6zqRhy8FlDzOj4bFyaJXmK5zz-jNaPFnzKDv9a_idSp2xWPOzh7dGyVjAj\" width=\"233\" height=\"344\" \/><\/p>\n<p>A bi\u00f3loga Cassiana Baptista Metri conta que em locais onde h\u00e1 coleta de caranguejos e manguezais mais pr\u00f3ximos a comunidades, um dos lixos mais comuns s\u00e3o sapatos e solas de sapato. \u201cDescola mesmo. A lama \u00e9 t\u00e3o pegajosa que se o cal\u00e7ado n\u00e3o for apropriado voc\u00ea fica descal\u00e7o nos primeiros minutos, n\u00e3o tenha a menor d\u00favida.\u201d<\/p>\n<p>Em outros cantos do pa\u00eds as \u201careias movedi\u00e7as\u201d tamb\u00e9m desafiam a persist\u00eancia dos cientistas. Janaina Oliveira coordena o <a href=\"https:\/\/novamata.org\/iniciativa\/projeto-uca\/\">Projeto U\u00c7\u00c1<\/a>, outra iniciativa patrocinada pela Petrobras. A bi\u00f3loga marinha lembra de quando come\u00e7ou a atua\u00e7\u00e3o no manguezal, no Rio de Janeiro, e hoje ri da situa\u00e7\u00e3o. \u201cEm uma das minhas primeiras vezes em campo, em 2013, eu atolei e fiquei presa. A equipe continuou fazendo o trabalho e eu fiquei l\u00e1 parada esperando. Na volta, o pessoal retornou para me salvar\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Fauna<\/p>\n<p>A fauna do manguezal guarda outros mist\u00e9rios assustadores. Um deles foi um caranguejo zumbi, encontrado durante um dia de pesquisa. \u201cEle estava completamente oco por dentro, como um morto-vivo. O catador pegou na nossa frente. Ele estava vivo, se mexendo e tudo mais\u201d, relata Cassiana Baptista Metri.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/18o5XY_igcDvrheksFxyQSi36phiIgBSFFo20WukeSXCMEfdNWMKTPuf2Wx8R8ZpHcIgq5LuJedwxkTy13rUsErnDSEjTvWM8KlAE_x3Kgfm4ttMZ_lGqtMiuLg8ScnPYnTU_LN0IfgezC9dkOl4\" width=\"196\" height=\"299\" \/><\/p>\n<p>Outro caranguejo encontrado pela equipe estava sendo devorado vivo por outro animal, que lembra muito a apar\u00eancia dos <em>aliens<\/em> em filmes de fic\u00e7\u00e3o. \u201cEncontramos esse parasita grande que parece um alien\u00edgena, branquinho, dentro do caranguejo. Mas encontrei um s\u00f3, o que \u00e9 positivo, indica que os bichos n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o parasitados. A esp\u00e9cie \u00e9 um ris\u00f3pode, parente do tatuzinho de jardim. Consegui film\u00e1-lo ainda vivo, quando o retiramos de dentro do caranguejo\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/zuKWme39OO2Lo7PsoLV9t1kknKOJe6osjLh00hp21JtrQjP_FtKT8RScC75n0lWphvGh6InQ5vhIRl0TyTGRaWE7_yWIIAW5THZ-vKLVDbtaFcStYvjk4T0G09Mb4JUntl5GPnqNNvH01UGap29B\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p><em>Parasita encontrado vivo dentro de caranguejo. Imagens: Cassiana Baptista Metri. Clique na imagem e confira o v\u00eddeo.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/1i1nJ1shC5I69qdtbRVnjugYifk5N9Bgf\">Confira mais imagens e v\u00eddeos aqui.<\/a><\/p>\n<p>Outra surpresa foi trazida por um aluno, um caranguejo que tem uma das patas da frente com tr\u00eas dedos. \u201cA fam\u00edlia do estudante estava toda reunida para a refei\u00e7\u00e3o e os caranguejos j\u00e1 estavam cozidos. Foi quando algu\u00e9m falou que queria aquele de tr\u00eas dedos. Por sorte, nosso aluno resgatou o bicho da mesa e hoje o exemplar raro est\u00e1 na faculdade. \u00c9 nossa estrela. Sempre levamos para as exposi\u00e7\u00f5es. Foi o \u00fanico assim encontrado por aqui, at\u00e9 agora\u201d, conta Metri.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/ctYUR1PW7MD0V9gxwQ6LS1fqIOHRWu5HcyQv8H4M2hojVftTMjbFa6e2QJP2a8_zJaRs8ytxNo-vGVdH2yBe04KI6UpC-q42tYGQCT-cQaCy9L0Fa9e5aEVPi0ib2Zgm4xGKgJRoWSgShfcFdmLQ\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p><em>Caranguejo de tr\u00eas dedos encontrado por estudante da Unespar. Foto: Anne Carolina Sandi.<\/em><\/p>\n<p>O caranguejo \u00e9 uma iguaria que atrai diversas esp\u00e9cies curiosas de predadores. Em uma das frentes, o Projeto U\u00e7a, monitora o retorno da fauna em \u00e1reas restauradas pelo programa. \u201cColocamos c\u00e2meras em alguns pontos e conseguimos registros do m\u00e3o-pelada, um mam\u00edfero que se alimenta do caranguejo. Ele tem esse nome porque n\u00e3o tem pelos nas patas\u201d, explica Janaina.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/C4N4GMYDEKd1k2FZ20ySZRW-1LcpE6qefN_xqWauOLdj4ELGlK-Ws67DY-yPEZcxVPhZYVk2nmJKAejntnNMi4IACBzIUzWqvoXMyDOHB7HsTmEALyXAEI7RJ-N1cFV5SZIcB0pPKS9alVsNq_Oh\" alt=\"\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>M\u00e3o-pelada em a\u00e7\u00e3o! C\u00e2meras registram animal ca\u00e7ando caranguejos no manguezal. Cr\u00e9dito: Projeto U\u00e7a. Clique na foto e confira o v\u00eddeo.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os pesquisadores, acostumados em ver a dificuldade dos catadores no mangue, se perguntam como o bichinho de bra\u00e7os t\u00e3o curtos consegue capturar os caranguejos nas tocas. Um enigma que logo deve ser desvendado pelas armadilhas fotogr\u00e1ficas do projeto.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do solo vem o perigo para os caranguejos. Outro predador voraz \u00e9 o gavi\u00e3o-caranguejeiro, uma \u00e1guia rara que s\u00f3 vive em \u00e1reas de manguezal. O melhor lugar no planeta para observa\u00e7\u00e3o \u00e9 na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Guaraque\u00e7aba, \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o do REBIMAR. Isso atrai um grande n\u00famero de observadores de aves do mundo inteiro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/YaREqfvGkKMKf66LyjJw9CWe-AtqVhFwYTcCKmSvJPsRWzJcbaSPsTbkb98YW0NiMwoRB2M0PnsnYVhnvHmlphlz9U7uFlMUeKOeMBU8pBzWlgpOhmMus2TCHmU9x9q2KGMGW5ScP2dNFJBVgi9e\" width=\"309\" height=\"411\" \/><\/p>\n<p>\u201cQuando a mar\u00e9 baixa, o gavi\u00e3o-caranguejeiro aproveita para ca\u00e7ar. Com o bico forte, consegue quebrar com facilidade a dura carca\u00e7a do caranguejo-u\u00e7\u00e1 e outros crust\u00e1ceos. Ele tem entre 42 a 46 cent\u00edmetros. Pode ser avistado o ano inteiro, mas no per\u00edodo reprodutivo fica mais ativo, o que facilita a observa\u00e7\u00e3o\u201d, orienta o guia e ornit\u00f3logo Raphael Sobania.<\/p>\n<p>Outra ave surpreendente que depende dos manguezais \u00e9 o Guar\u00e1. A alimenta\u00e7\u00e3o baseada em pequenos caranguejos torna a cor dessa ave impactante. O vermelho vivo parece saltar na paisagem verde do manguezal. A esp\u00e9cie chegou a ficar extinta no Paran\u00e1 por cerca de 80 anos e os bandos retornaram ao litoral em 2008. \u201cAinda \u00e9 um mist\u00e9rio o retorno dos Guar\u00e1s ao estado. Uma hip\u00f3tese \u00e9 que seja um excedente de popula\u00e7\u00e3o de Cubat\u00e3o, em S\u00e3o Paulo\u201d, avalia Sobania.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/nA1QCbhjN2I1ikFUPHiu1SGy8ykZkNYiRufOH9GEDsLRpAyNLHMR1YfLIvsJv_Uen0VLY6FVshnt2LFv8MdSnH7kfC0GhTT-Ua7CeenuGv_sFLXQ5PDWwmcYIhamq5m3O4--75FMDIAZ6gUX9npr\" alt=\"\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caranguejo mutante, parasita \u201calien\u201d, \u201careia movedi\u00e7a\u201d, gavi\u00e3o-caranguejeiro, m\u00e3o-pelada s\u00e3o algumas curiosidades encontradas por pesquisadores Em filmes um pouco mais antigos era comum cenas de a\u00e7\u00e3o envolvendo as temidas areias movedi\u00e7as. Mocinhos e vil\u00f5es ficavam presos no solo mole e, quanto mais se mexiam, mais afundavam. 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