{"id":1268,"date":"2025-04-30T15:08:51","date_gmt":"2025-04-30T18:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/rebimar.ejulianoti.com.br\/?p=1268"},"modified":"2025-04-30T17:31:09","modified_gmt":"2025-04-30T20:31:09","slug":"mergulhadores-cientificos-e-recreativos-juntos-pela-pesquisa-do-mundo-submerso-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/mergulhadores-cientificos-e-recreativos-juntos-pela-pesquisa-do-mundo-submerso-2\/","title":{"rendered":"Mergulhadores cient\u00edficos e recreativos juntos pela pesquisa do mundo submerso"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><em>Nova tecnologia de mergulho permite aproxima\u00e7\u00e3o maior com a vida marinha, para estudo do<br \/>\ncomportamento de esp\u00e9cies, com o m\u00ednimo de impacto<\/em><\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-678\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-13-1024x768.png\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-13-1024x768.png 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-13-300x225.png 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-13-768x576.png 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-13.png 1300w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"678\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rebreather utilizado pelo mergulhador cient\u00edfico Robin Loos. Foto: Gabriel Marchi<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n<p>Os oceanos s\u00e3o o lar de criaturas incr\u00edveis e abrigam uma biodiversidade gigantesca, grande parte ainda desconhecida. O litoral paranaense \u00e9 um dos menores no Brasil, com cerca de cem quil\u00f4metros de costa em contato com o Oceano Atl\u00e2ntico Sul, mas \u00e9 uma das \u00e1reas mais importantes do mundo quando o assunto \u00e9 biodiversidade. Esse pequeno trecho da costa brasileira possui diversas ilhas e v\u00e1rios pontos de recifes artificiais ricos em vida marinha que s\u00e3o monitorados pelo Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (REBIMAR), iniciativa patrocinada pelo Governo Federal e pela Petrobras.<\/p>\n<p>O REBIMAR conta agora com uma nova tecnologia para a pesquisa subaqu\u00e1tica, o equipamento de mergulho Rebreather. A tecnologia europeia chegou ao Brasil para contribuir para a observa\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies dif\u00edceis de avistar, como o grande peixe Mero, as garoupas, al\u00e9m de tartarugas marinhas, raias e outras criaturas extraordin\u00e1rias que habitam o incr\u00edvel mundo submerso. Muitas esp\u00e9cies est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o e s\u00e3o muito dif\u00edceis de encontrar em outros pontos da costa brasileira.<\/p>\n<p>O equipamento \u00e9 especial para a pesquisa porque n\u00e3o emite sons embaixo d\u2019\u00e1gua e n\u00e3o solta bolhas. Sem ru\u00eddos, os seres marinhos n\u00e3o se assustam, pelo contr\u00e1rio, t\u00eam se aproximado cada vez mais dos mergulhadores-cientistas. O Rebreather permite que o ar seja reciclado por uma sess\u00e3o de filtragem e retorne para o mergulhador. Com isso \u00e9 poss\u00edvel ficar at\u00e9 tr\u00eas horas no fundo do mar. E foi assim que a equipe do REBIMAR registrou um comportamento muito especial do Mero.<\/p>\n<p>\u201cO peixe gigante se aproximou muito perto de mim, algo in\u00e9dito de ocorrer. O Mero chegou com muita curiosidade e praticamente encostou em mim, sem nenhum tipo de medo ou receio de ter um mergulhador na frente dele. Foi maravilhoso! Essa tecnologia proporciona encontros incr\u00edveis com a vida marinha, muito diferente do cilindro de mergulho comum\u201d, conta Robin Loose, mergulhador e coordenador de Log\u00edstica e Opera\u00e7\u00f5es N\u00e1uticas na Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil.<\/p>\n<p>Robin explica que com o mergulho Scuba, aparelho tradicional com ar comprimido que solta bolhas, \u00e9 quase imposs\u00edvel ter essa proximidade com os seres marinhos mais raros. \u201cJ\u00e1 com o Rebreather, conseguimos chegar bem perto, medir o comprimento e avaliar o comportamento deles. \u00c9 um benef\u00edcio gigantesco para a pesquisa da ictiofauna, o conjunto de peixes de uma regi\u00e3o ou ambiente\u201d, acrescenta ele.<\/p>\n<p>Em todo Brasil, h\u00e1 apenas 5 Rebreathers e somente duas universidades usam essa tecnologia para pesquisa: a Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil, respons\u00e1vel pelo REBIMAR, atualmente \u00e9 a \u00fanica ONG que possui esse modelo com fins cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso um longo treinamento e muita experi\u00eancia embaixo d\u2019\u00e1gua para usar o Rebreather. De modo algum os mergulhadores encostam no ch\u00e3o, eles flutuam como se estivessem voando. Isso impede qualquer tipo de contato que possa impactar no ecossistema marinho, quebrando corais, rochas ou remexendo o fundo do oceano, por exemplo. O REBIMAR possui dois mergulhadores qualificados e firmou uma parceria de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cient\u00edfica com o centro de mergulho Acquanauta, que tamb\u00e9m adquiriu um Rebreather e atua com treinamento de mergulhadores e turismo. A parceria permite que mergulhadores recreativos mais experientes participem das expedi\u00e7\u00f5es de pesquisa e ajudem nos registros.<\/p>\n<p>As imagens subaqu\u00e1ticas s\u00e3o cedidas para o projeto e t\u00eam aumentado o acervo do REBIMAR<br \/>\nque faz um monitoramento constante das \u00e1reas foco de pesquisa que inclui as duas balsas<br \/>\nnaufragadas no litoral do Paran\u00e1, o Parque Nacional Marinho dos Currais, a Ilha da Figueira e<br \/>\nIlha do Castilho, essa \u00faltima em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Reinaldo Alberti, s\u00f3cio da Acquanauta, est\u00e1 entre os cinco instrutores mais bem qualificados do Brasil e participa ativamente das expedi\u00e7\u00f5es do REBIMAR. \u201cComo ONG, a MarBrasil n\u00e3o pode vender sa\u00eddas de mergulho, ent\u00e3o, a Acquanauta ajuda com doa\u00e7\u00f5es para manuten\u00e7\u00e3o das lanchas e do combust\u00edvel. E nossos mergulhadores assinam um termo de cess\u00e3o de imagens para o REBIMAR\u201d, explica.<\/p>\n<p>O banco de dados contribui para as pesquisas que j\u00e1 s\u00e3o desenvolvidas e, com isso, os mergulhadores recreativos valorizam ainda mais a atividade. Eles recebem os briefings de mergulho como se fosse uma atividade de educa\u00e7\u00e3o ambiental, com informa\u00e7\u00f5es sobre o local, que tipo de vida marinha tem ali e quais s\u00e3o as principais maneiras de mergulhar preservando o meio ambiente.<\/p>\n<p>A parceria com a Acquanauta \u00e9 de longa data e envolve ainda a manuten\u00e7\u00e3o dos equipamentos e o fornecimento dos gases necess\u00e1rios. \u201cTrabalhamos com uma mistura que j\u00e1 existe no ar que respiramos, com nitrog\u00eanio e hidrog\u00eanio, mas com um pouco mais de oxig\u00eanio para deixar o mergulho mais seguro e por mais tempo nesta faixa de 30 metros de profundidade\u201d, esclarece Reinaldo.<\/p>\n<p>A fisioterapeuta e mergulhadora, Maria Jos\u00e9 Perrelli, participou de uma das expedi\u00e7\u00f5es e considera a iniciativa essencial, principalmente para a conserva\u00e7\u00e3o dos ambientes aqu\u00e1ticos, com a divulga\u00e7\u00e3o da vida marinha e o estudo do comportamento das esp\u00e9cies. \u201cA \u00e1gua \u00e9 muito rica em alimento para os animais e tem muita vida, acho fant\u00e1stica essa parceria. S\u00e3o mergulhos \u00fanicos, em nenhum outro lugar h\u00e1 uma aglomera\u00e7\u00e3o de Meros t\u00e3o grande quanto nas balsas afundadas. Tamb\u00e9m pude ver uma variedade enorme de esp\u00e9cies como raia-manteiga, tartarugas marinhas, moreia e cardumes com peixes como garoupas, salema, olho-de-c\u00e3o, entre outros\u201d.<\/p>\n<p>O REBIMAR tem investido cada vez mais na pr\u00e1tica da ci\u00eancia cidad\u00e3, um movimento que conta com a participa\u00e7\u00e3o de pessoas comuns e pesquisadores amadores para produzir conhecimento cient\u00edfico. A participa\u00e7\u00e3o popular contribui na coleta de dados e imagens, n\u00e3o s\u00f3 nos mergulhos, mas tamb\u00e9m pelo aplicativo SIG REBIMAR, onde qualquer pessoa pode fazer registros de encalhe da fauna marinha e de res\u00edduos pl\u00e1sticos encontrados pela faixa litor\u00e2nea. \u00c9 uma alian\u00e7a que produz conhecimento e traz mais pessoas para a causa da conserva\u00e7\u00e3o dos oceanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova tecnologia de mergulho permite aproxima\u00e7\u00e3o maior com a vida marinha, para estudo do comportamento de esp\u00e9cies, com o m\u00ednimo de impacto Rebreather utilizado pelo mergulhador cient\u00edfico Robin Loos. Foto: Gabriel Marchi Os oceanos s\u00e3o o lar de criaturas incr\u00edveis e abrigam uma biodiversidade gigantesca, grande parte ainda desconhecida. 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