{"id":1269,"date":"2025-04-30T15:08:51","date_gmt":"2025-04-30T18:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/rebimar.ejulianoti.com.br\/?p=1269"},"modified":"2025-04-30T17:31:03","modified_gmt":"2025-04-30T20:31:03","slug":"mapeamento-inedito-dos-manguezais-identifica-pontos-mais-conservados-e-os-que-precisam-de-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/mapeamento-inedito-dos-manguezais-identifica-pontos-mais-conservados-e-os-que-precisam-de-atencao\/","title":{"rendered":"Mapeamento in\u00e9dito dos manguezais identifica pontos mais conservados e os que precisam de aten\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><em>Pesquisadores de diferentes \u00e1reas se uniram para avaliar a sa\u00fade desses importantes ambientes de<br \/>\ntransi\u00e7\u00e3o entre o mar e a costa, na regi\u00e3o da Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica<\/em><\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-6 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-675\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-12-1024x683.png\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-12-1024x683.png 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-12-300x200.png 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-12-768x512.png 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-12.png 1299w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"675\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n<p>Pela primeira vez, pesquisadores de diferentes \u00e1reas de conhecimento se re\u00fanem para entender como est\u00e1 a sa\u00fade dos manguezais na linha de costa, na \u00e1rea conhecida como Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica. A pesquisa envolve trabalho de campo, nos bosques de mangue, e um mapeamento a\u00e9reo feito por drones equipados com c\u00e2meras altamente tecnol\u00f3gicas e imagens de sat\u00e9lite. Os indicadores apontam as \u00e1reas mais conservadas e as mais impactadas pela presen\u00e7a humana e pela polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A parceria envolve cientistas do Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (REBIMAR), iniciativa patrocinada pela Petrobras e pelo Governo Federal, e pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Geoprocessamento e Estudos Ambientais da Universidade Federal do Paran\u00e1 (LAGEAMB\/UFPR).<\/p>\n<p>O resultado s\u00e3o novos mapas, mais precisos, e que indicam tamb\u00e9m o vigor da vegeta\u00e7\u00e3o, com uma precis\u00e3o in\u00e9dita da regi\u00e3o que vai do nordeste de Santa Catarina, passando pelo Paran\u00e1, at\u00e9 o sul de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um produto inovador. Todos os mapeamentos que foram feitos at\u00e9 ent\u00e3o usavam uma escala m\u00e9dia, mais generalizada. Desta vez, estamos fazendo um mapeamento bem mais refinado dos manguezais\u201d, explica Otac\u00edlio Paz, ge\u00f3grafo do LAGEAMB. \u201cO tempero adicional \u00e9 aplicar os \u00edndices de qualidade dessa vegeta\u00e7\u00e3o, para saber como est\u00e1 a sa\u00fade desse manguezal e comparar por setores em cada regi\u00e3o da Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica\u201d, completa o pesquisador.<\/p>\n<p>A ge\u00f3grafa Laura Beatriz Krama \u00e9 respons\u00e1vel pelo processamento digital de imagens de sat\u00e9lite e pelo aerolevantamento com drones. \u201cUtilizamos as imagens do sat\u00e9lite CBERS 4A, disponibilizadas gratuitamente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).<\/p>\n<p>Trabalhando com elas, chegamos numa resolu\u00e7\u00e3o espacial de 2m. Essas imagens s\u00e3o utilizadas tanto no mapeamento, quanto para obtermos valores referentes aos \u00edndices de vegeta\u00e7\u00e3o dos manguezais\u201d, explica Laura.<\/p>\n<p>Ela explica que o drone utilizado no mapeamento possui uma c\u00e2mera multiespectral acoplada, ou seja, al\u00e9m de alcan\u00e7ar detalhes vis\u00edveis aos olhos humanos, como as c\u00e2meras convencionais, tamb\u00e9m \u00e9 capaz de realizar a leitura do espectro infravermelho pr\u00f3ximo da vegeta\u00e7\u00e3o. \u201cA tecnologia permite maior detalhe e precis\u00e3o nos locais de monitoramento. Conseguimos ter exatid\u00e3o de cent\u00edmetros\u201d, detalha.<\/p>\n<p>Canan\u00e9ia-Iguape (SP) possuem valores m\u00e9dios de cerca de 0,52. A maior diferen\u00e7a foi apresentada na Ba\u00eda de Babitonga (SC), que resultou num valor de aproximadamente 0,48, indicando ser a regi\u00e3o de manguezal menos saud\u00e1vel da Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica\u201d, avalia Laura.<\/p>\n<p>A ocean\u00f3grafa e coordenadora de flora de manguezais no REBIMAR, Sarah Charlier Sarubo, explica que esse mapeamento facilita muito os estudos de flora, da sa\u00fade e dos estoques de carbono dos manguezais. \u201cEle consegue mapear a biomassa a\u00e9rea, que \u00e9 toda aquela parte das \u00e1rvores acima do solo, com troncos e folhas. O trabalho de geoprocessamento serve como uma ferramenta para n\u00f3s, por apresentar os dados de forma mais visual e permitir uma escolha mais assertiva dos locais para monitoramento\u201d.<\/p>\n<p>Mas ela lembra que h\u00e1 ainda a biomassa abaixo do solo, que s\u00e3o as ra\u00edzes e o estoque de carbono dentro do solo do manguezal que \u00e9 muito grande. Para isso, as equipes de pesquisa do REBIMAR continuam o trabalho em solo, estabelecendo parcelas de monitoramento, identificando e medindo as \u00e1rvores, registrando imagens da fisionomia do bosque, assim como coletando amostras do sedimento para avaliar a salinidade. \u201cCom estes dados \u00e9 poss\u00edvel avaliar a condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade do bosque, al\u00e9m de calcular as estimativas do estoque de carbono contido na biomassa a\u00e9rea. Nosso pr\u00f3ximo objetivo \u00e9 avaliar o estoque de carbono presente no solo para ter um panorama mais completo da contribui\u00e7\u00e3o dos manguezais da Grande Reserva na mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, explica Sarubo.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-674\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-11-1024x683.png\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-11-1024x683.png 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-11-300x200.png 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-11-768x512.png 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-11.png 1299w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><\/figure>\n<p>Para Otac\u00edlio Paz, a ideia \u00e9 dar ferramentas e gerar dados de baixo custo para a tomada de decis\u00e3o em gest\u00e3o territorial. \u201cIdentificar, por exemplo, \u00e1reas que precisam ser recuperadas, monitoradas ou de outra estrat\u00e9gia como educa\u00e7\u00e3o ambiental para que a comunidade conhe\u00e7a e valorize esses locais. Ao produzirmos esses dados, podemos dar suporte para as melhores decis\u00f5es por parte dos gestores\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>O mapeamento tamb\u00e9m inclui quest\u00f5es socioecon\u00f4micas como vias de acesso como rodovias e ferrovias, divisas estaduais e limites municipais. Recentemente, a equipe fez um trabalho de Cartografia Participativa que incluiu um levantamento de esp\u00e9cies em colabora\u00e7\u00e3o com pescadores. \u201cLevamos mapas para cada um deles, em locais estrat\u00e9gicos, e pedimos para os pr\u00f3prios pescadores marcarem onde eles encontram determinadas esp\u00e9cies da fauna aqu\u00e1tica, para uma an\u00e1lise de biodiversidade\u201d, acrescenta o ge\u00f3grafo.<\/p>\n<p><strong>Por que monitorar os manguezais?<\/strong><\/p>\n<p>A uni\u00e3o de esfor\u00e7os do Programa REBIMAR e do LAGEAMB se justifica pela import\u00e2ncia desse ecossistema. Os manguezais s\u00e3o como p\u00e2ntanos que ficam na regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o entre o mar e a costa, espa\u00e7os sens\u00edveis que abrigam uma vegeta\u00e7\u00e3o t\u00edpica com muitas ra\u00edzes aparentes e subterr\u00e2neas.<\/p>\n<p>Esses ambientes \u00famidos s\u00e3o fundamentais para proteger a costa brasileira frente a eventos clim\u00e1ticos cada vez mais extremos. A vegeta\u00e7\u00e3o em bom estado impede a eros\u00e3o e estabiliza a linha de costa, protegendo contra tempestades e o aumento do n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>\u201cComunidades que est\u00e3o atr\u00e1s do manguezal se beneficiam dessa prote\u00e7\u00e3o. Proteger esses ecossistemas \u00e9 proteger tamb\u00e9m as pessoas e as esp\u00e9cies. V\u00e1rios estudos mostram que, no sudeste asi\u00e1tico, onde aconteceram os tsunamis, as popula\u00e7\u00f5es protegidas por manguezais preservados sofreram muito menos impactos do que em \u00e1reas que j\u00e1 n\u00e3o tinham essa vegeta\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Sarah Sarubo.<\/p>\n<p>A pesquisadora refor\u00e7a ainda que os manguezais armazenam mais carbono do que qualquer outro tipo de floresta, ou seja, absorvem em grande quantidade o g\u00e1s respons\u00e1vel pelo aquecimento global e pelo agravamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cTamb\u00e9m \u00e9 importante lembrar que s\u00e3o filtros potentes de \u00e1gua e de ar, retendo a contamina\u00e7\u00e3o gerada por portos e pela urbaniza\u00e7\u00e3o\u201d completa Sarah.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores de diferentes \u00e1reas se uniram para avaliar a sa\u00fade desses importantes ambientes de transi\u00e7\u00e3o entre o mar e a costa, na regi\u00e3o da Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica Pela primeira vez, pesquisadores de diferentes \u00e1reas de conhecimento se re\u00fanem para entender como est\u00e1 a sa\u00fade dos manguezais na linha de costa, na \u00e1rea conhecida como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1269","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-release"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1269","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1269"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1269\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1400,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1269\/revisions\/1400"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}