{"id":1270,"date":"2025-04-30T15:08:51","date_gmt":"2025-04-30T18:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/rebimar.ejulianoti.com.br\/?p=1270"},"modified":"2025-04-30T17:30:57","modified_gmt":"2025-04-30T20:30:57","slug":"mulheres-cientistas-atuantes-no-litoral-que-voce-precisa-conhecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/mulheres-cientistas-atuantes-no-litoral-que-voce-precisa-conhecer\/","title":{"rendered":"Mulheres cientistas, atuantes no litoral, que voc\u00ea precisa conhecer"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-7 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n<p>Mulheres ao mar! Um grupo de cientistas, todas refer\u00eancias em suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o, tem realizado diversas iniciativas e descobertas sobre a fauna e ecossistemas da zona costeira brasileira. Em linhas de pesquisa variadas, essas profissionais avaliam e monitoram a din\u00e2mica e a biodiversidade costeira e marinha na interface com a Mata Atl\u00e2ntica. As pesquisadoras desenvolvem estudos sobre o comportamento da fauna e da flora, participam ativamente de a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o dos animais, de educa\u00e7\u00e3o ambiental e na forma\u00e7\u00e3o e efetiva\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que garantem qualidade e bem-estar ao nosso litoral.<\/p>\n<p>Essas cientistas do mar integram o Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (REBIMAR), iniciativa patrocinada pela Petrobras e pelo Governo Federal. As pesquisadoras s\u00e3o ligadas a institui\u00e7\u00f5es como Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR e CPP-CEM), Universidade Estadual do Paran\u00e1 (UNESPAR), Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Instituto Federal do Paran\u00e1 (IFPR). Al\u00e9m das profissionais com longa experi\u00eancia, o REBIMAR integra jovens cientistas, que desenvolvem disserta\u00e7\u00f5es e teses de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, e estudantes em est\u00e1gios oficiais firmados com essas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n<p>O conjunto de pesquisas desenvolvidas por essas mulheres \u00e9 fundamental para entender como o ecossistema costeiro e marinho vem sendo alterado e tem se adaptado \u00e0 presen\u00e7a humana. As informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas geradas v\u00eam sendo fundamentais para embasar pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es regionais e internacionais de conserva\u00e7\u00e3o da zona costeira, do oceano e de toda a biodiversidade. Parte dos trabalhos tamb\u00e9m \u00e9 focada na valoriza\u00e7\u00e3o desse territ\u00f3rio e nas pr\u00e1ticas tradicionais culturais realizadas nos ecossistemas.<\/p>\n<p><strong>Camila Domit, coordenadora t\u00e9cnica das a\u00e7\u00f5es com tartarugas-marinhas<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-661\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image.png\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"669\" \/><\/figure>\n<p>Tartarugas, tubar\u00f5es e raias s\u00e3o apenas alguns dos colegas de trabalho de Camila Domit. Seus estudos e trabalhos s\u00e3o focados na conserva\u00e7\u00e3o de ecossistemas e na biodiversidade marinha, com muita pesquisa e monitoramento de fauna. Ela participa de diferentes redes e f\u00f3runs nacionais e internacionais referentes \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o do oceano e sua riqueza, assim como est\u00e1 engajada em estrat\u00e9gias que aproximam ci\u00eancia, governantes e sociedade.<\/p>\n<p>No REBIMAR, Camila coordena as pesquisas envolvendo as tartarugas-verdes, desenvolvendo a\u00e7\u00f5es de captura ativa, marca\u00e7\u00e3o e soltura dos animais, analise de sa\u00fade e uso do habitat, principalmente, na Ilha das Cobras, na Ilha do Mel e na \u00e1rea costeira do Paran\u00e1. Como parte dos trabalhos desenvolvidos, est\u00e1 o teste e uso de rastreadores para avalia\u00e7\u00e3o do comportamento e monitoramento da exposi\u00e7\u00e3o dos animais a riscos e impactos ambientais.<\/p>\n<p>\u201c<em>Temos no Paran\u00e1 a presen\u00e7a das cinco esp\u00e9cies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, al\u00e9m de esp\u00e9cies de golfinhos, aves marinhas, tubar\u00f5es e raias que s\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o e que utilizam nosso litoral, seja durante o processo de migra\u00e7\u00e3o, seja para reprodu\u00e7\u00e3o ou alimenta\u00e7\u00e3o. O Paran\u00e1 \u00e9 \u00e1rea considerada de grande relev\u00e2ncia para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha e costeira, tanto nas avalia\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente quanto em avalia\u00e7\u00f5es internacionais.<\/em>\u201d<\/p>\n<p><strong>Cassiana Baptista Metri, coordenadora da fauna de manguezal \u2013 especialmente caranguejos<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-662\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1.png\" sizes=\"auto, (max-width: 842px) 100vw, 842px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1.png 731w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-1-300x214.png 300w\" alt=\"\" width=\"842\" height=\"601\" \/><\/figure>\n<p>O manguezal \u00e9 a segunda casa dessa bi\u00f3loga, mestre e doutora em Zoologia. No REBIMAR, est\u00e1 \u00e0 frente de v\u00e1rias pesquisas para conserva\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o desses ambientes \u00famidos, para decifrar como s\u00e3o impactados pela presen\u00e7a humana. Al\u00e9m dos manguezais, a cientista Cassiana Metri \u00e9 uma grande refer\u00eancia no estudo sobre os caranguejos-u\u00e7a, esp\u00e9cie mais comercializada e consumida no Brasil, segundo o IBAMA.<\/p>\n<p>O acompanhamento dos manguezais \u00e9 feito desde 2018 e as pesquisas demostram a grande capacidade de regenera\u00e7\u00e3o desses bosques de mangue. Mas a fauna marinha j\u00e1 tem sido bastante impactada pela a\u00e7\u00e3o humana. \u201cOs animais que passam parte da vida no manguezal ter\u00e3o presen\u00e7a de contaminantes no corpo e as outras esp\u00e9cies, que se alimentam deles, v\u00e3o acumular em escala. Assim como os tubar\u00f5es e golfinhos, o homem \u00e9 um consumidor de topo de cadeia e se alimenta dentro desse processo\u201d, explica Metri. Entre seus estudos mais recentes, est\u00e1 a quantifica\u00e7\u00e3o de metais pesados nos caranguejos-u\u00e7a.<br \/>\nCassiana Metri tamb\u00e9m \u00e9 professora na Unespar, no Campus de Paranagu\u00e1 (PR) e dedica-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com os projetos de extens\u00e3o Todos Contra a Dengue e Cole\u00e7\u00e3o de Zoologia.<\/p>\n<p>\u201c<em>Meu pai era pescador esportivo e me ensinou a amar o mar. Na adolesc\u00eancia eu firmei um objetivo de ver o mar todos os meses, o que, morando em Curitiba nem sempre era poss\u00edvel. Por\u00e9m, durante a gradua\u00e7\u00e3o, ao visitar o Centro de estudos do Mar da UFPR eu senti que tinha encontrado o meu ambiente. Nessa \u00e9poca comecei a fazer est\u00e1gios e estou perto do mar at\u00e9 hoje<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cl\u00e1udia Namiki, consultora de Ictiopl\u00e2ncton (ovos e larvas de peixes)<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-663\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-2.png\" sizes=\"auto, (max-width: 842px) 100vw, 842px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-2.png 714w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-2-300x214.png 300w\" alt=\"\" width=\"842\" height=\"601\" \/><\/figure>\n<p>Os olhos atentos dessa bi\u00f3loga contribuem com diversas pesquisas relacionadas a descri\u00e7\u00e3o, ecologia e biologia de ovos e larvas de peixes. A bi\u00f3loga quer entender como os fatores f\u00edsicos e biol\u00f3gicos operam em diferentes escalas espaciais e temporais e afetam a distribui\u00e7\u00e3o, crescimento e mortalidade desses pequenos seres.<\/p>\n<p>\u201c<em>Sempre gostei do mar, desde crian\u00e7a, mas minha hist\u00f3ria com o mar come\u00e7ou de verdade na gradua\u00e7\u00e3o em Biologia, quando comecei a estagiar no Laborat\u00f3rio Integrado de Zoopl\u00e2ncton e Ictiopl\u00e2ncton. Fiquei fascinada em pensar que animais t\u00e3o pequenos viviam \u00e0 deriva nesse imenso oceano, e que alguns deles, como as larvas de meros, poderiam crescer e se tornar animais imponentes<\/em>\u201d, conta Claudia Namiki, mestre em Ecologia e doutora em oceoanografia biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Uma de suas pesquisas avalia como os Recifes Artificiais implantados pelo REBIMAR no litoral do Paran\u00e1 serviram de prote\u00e7\u00e3o contra atividades destrutivas de pesca de arrasto e ofereceram habitat para a fauna local para recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Ela estudou e comparou as larvas de peixes presentes nos recifes artificiais e naturais do Arquip\u00e9lago de Currais.<\/p>\n<p>Com armadilhas luminosas e rede de pl\u00e2ncton, o estudo identificou 12 fam\u00edlias e 14 esp\u00e9cies, ampliando a lista total de esp\u00e9cies da \u00e1rea em oito esp\u00e9cies e tr\u00eas fam\u00edlias. Chama-se aten\u00e7\u00e3o especial para o \u201cefeito atrator\u201d dos recifes artificiais para algumas esp\u00e9cies. A grande abund\u00e2ncia de ovas de peixe sugere que essas estruturas artificiais podem melhorar a produ\u00e7\u00e3o local de peixes.<\/p>\n<p><strong>Fernanda Possatto, vice-coordenadora da pesquisa em micropl\u00e1stico<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-664\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-3.png\" sizes=\"auto, (max-width: 839px) 100vw, 839px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-3.png 719w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-3-300x200.png 300w\" alt=\"\" width=\"839\" height=\"559\" \/><\/figure>\n<p>A ocean\u00f3grafa Fernanda Possatto integra a equipe de pesquisa que acaba de levantar dados cient\u00edficos in\u00e9ditos sobre a presen\u00e7a de micropl\u00e1stico na \u00e1gua, em sedimentos e a ingest\u00e3o por aves como atob\u00e1s, gaivotas e fragatas.<\/p>\n<p>O estudo \u00e9 feito pelo REBIMAR na zona costeira do Paran\u00e1, na \u00e1rea conhecida como Complexo Estuarino de Paranagu\u00e1. As an\u00e1lises s\u00e3o feitas na \u00e1gua, nos sedimentos e nos animais encontrados nas praias, especialmente em aves costeiras. Os resultados encontrados at\u00e9 agora s\u00e3o preocupantes.<\/p>\n<p>\u201c<em>J\u00e1 confirmamos uma quantidade bem relevante de animais ingerindo pl\u00e1stico. Tamb\u00e9m encontramos micropl\u00e1stico em regi\u00f5es pr\u00f3ximas \u00e0 cidade de Paranagu\u00e1 e tamb\u00e9m em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental como Guaraque\u00e7aba. Grande parte dos res\u00edduos fica na superf\u00edcie da \u00e1gua, logo, a dispers\u00e3o dos mesmos pode ser influenciada por diversos fatores como as varia\u00e7\u00f5es de mar\u00e9s e a din\u00e2mica das correntes de um modo geral.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>A pesquisadora e professora do ITFPR \u00e9 uma grande incentivadora de estudantes do ensino m\u00e9dio na inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que participam da coleta e an\u00e1lise das amostras coletadas. O trabalho realizado no REBIMAR vai contribuir com dados para embasar pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p><strong>Laura Beatriz Krama, t\u00e9cnica de geoprocessamento<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-666\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-5.png\" sizes=\"auto, (max-width: 786px) 100vw, 786px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-5.png 786w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-5-300x200.png 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-5-768x512.png 768w\" alt=\"\" width=\"786\" height=\"524\" \/><\/figure>\n<p>A jovialidade da estudante de geografia, aliada a experi\u00eancia de outras cientistas, tem trazido inova\u00e7\u00e3o para o projeto, como o estudo desenvolvido em parceria com o Laborat\u00f3rio de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (LAGEAMB \u2013 UFPR). O trabalho conjunto est\u00e1 mapeando, com precis\u00e3o in\u00e9dita, a sa\u00fade dos manguezais da Grande Reserva da Mata Atl\u00e2ntica. Para isso, nossa jovem cientista usa o processamento digital de imagens de sat\u00e9lite e aerolevantamento com drones.<\/p>\n<p>\u201c<em>A paisagem litor\u00e2nea se torna cada vez mais bela a cada passo que a conhecemos melhor. Poder estudar essa regi\u00e3o, compreendendo suas rela\u00e7\u00f5es naturais e sociais, \u00e9 um grande privil\u00e9gio. Por isso, o prop\u00f3sito de contribuir na preserva\u00e7\u00e3o desse ambiente se mant\u00e9m em cada trabalho, seja indo a campo, pilotando drones, conversando com tradicionais e nos mapeamentos.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Antes mesmo de se formar, Laura Krama j\u00e1 atuou em pesquisas important\u00edssimas no litoral do Paran\u00e1, como o projeto \u2018Territ\u00f3rio Cai\u00e7ara: Harmonizando Direitos nas Comunidades Tradicionais das Ilhas das Pe\u00e7as e do Superagui\u2019 com o objetivo realizar um estudo de caracteriza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e cadastral dos habitantes de 16 comunidades localizadas dentro dos limites e no entorno imediato do Parque Nacional do Superagui (PNS).<\/p>\n<p><strong>Mar\u00edlia Cunha Lignon, coordenadora Ecossistema Manguezal<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-667\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-6.png\" sizes=\"auto, (max-width: 802px) 100vw, 802px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-6.png 685w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-6-300x215.png 300w\" alt=\"\" width=\"802\" height=\"574\" \/><\/figure>\n<p>A bi\u00f3loga Mar\u00edlia Lignon tem liderado um grupo de mulheres no estudo dos manguezais paranaenses e paulistas, campo at\u00e9 ent\u00e3o dominado por homens, pela dificuldade f\u00edsica de \u201ccaminhar\u201d na lama e nas ra\u00edzes. \u00c9 uma grande incentivadora das equipes femininas e prova que o desafio pode ser facilmente vencido com t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>\u201c<em>O contato com o mar, areia e sol sempre fizeram parte da minha vida. Fiz biologia e procurei o enfoque marinho-costeiro nas escolhas de linhas de pesquisa por onde passei. Quando coloquei o \u2018p\u00e9 na lama\u2019 n\u00e3o sa\u00ed mais. Os manguezais entraram na minha vida para ficar. Esse ecossistema, entre a terra e o mar, prov\u00ea tantos benef\u00edcios para a vida no planeta, que me encanta mais e mais a cada dia que passa<\/em>\u201d, afirma a doutora em Oceanografia.<\/p>\n<p>Suas pesquisas t\u00eam trazido dados novos sobre os manguezais, como a capacidade de regenera\u00e7\u00e3o desses ambientes e a import\u00e2ncia dessas florestas de mangue que oferecem servi\u00e7os ecossist\u00eamicos \u00e0 humanidade, como a mitiga\u00e7\u00e3o dos efeitos negativos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Seu novo estudo avalia o estado de conserva\u00e7\u00e3o do complexo estuarino de Iguape-Canan\u00e9ia-Paranagu\u00e1 e a Ba\u00eda de Guaratuba. Trata-se da maior \u00e1rea de manguezal no sudeste e sul do Brasil, reconhecido como Patrim\u00f4nio Natural da Humanidade da UNESCO.<\/p>\n<p>Em outra publica\u00e7\u00e3o recente, Lignon investigou fatores que levam \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o de plantas n\u00e3o nativas nos manguezais. A pesquisa descobriu que a baixa salinidade e o aumento da disponibilidade de nitrato no sedimento t\u00eam, n\u00e3o s\u00f3 favorecido o sucesso de plantas n\u00e3o nativas nas florestas de mangue, como resultado tamb\u00e9m em grande quantidade de troncos de mangue mortos.<\/p>\n<p><strong>Marjorie Chaves Ramos, t\u00e9cnica de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-668\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-7.png\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-7.png 681w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-7-300x214.png 300w\" alt=\"\" width=\"771\" height=\"550\" \/><\/figure>\n<p>Marjorie \u00e9 uma das principais lideran\u00e7as nas a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ambiental do Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha e desenvolve pesquisas nas \u00e1reas de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, educa\u00e7\u00e3o ambiental, biodiversidade e conserva\u00e7\u00e3o marinha. Tem participado incansavelmente das a\u00e7\u00f5es de limpeza de praias e da identifica\u00e7\u00e3o de diversos tipos de animais e lixo presente na \u00e1gua e na areia.<br \/>\nA atua com a\u00e7\u00f5es de Divulga\u00e7\u00e3o e Populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia<\/p>\n<p>\u201d <em>Minha curiosidade pelo mar foi despertada ainda quando crian\u00e7a, isso foi decisivo na minha escolha profissional. Acredito que as atividades de educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o impulso para uma vis\u00e3o cr\u00edtica, a constru\u00e7\u00e3o de uma nova concep\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com o ambiente e o est\u00edmulo \u00e0s crian\u00e7as, em especial as meninas, a acreditarem que podem participar dos processos cient\u00edficos<\/em>\u201d, defende a mestra em Ci\u00eancias Ambientais, que tamb\u00e9m atua no Programa Laborat\u00f3rio M\u00f3vel de Educa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da UFPR Litoral (LABM\u00d3VEL).<\/p>\n<p>Marjorie tamb\u00e9m foi a respons\u00e1vel pela pesquisa, roteiro e produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio \u2018Ser T\u00e3ozinho Cai\u00e7ara: um document\u00e1rio sobre a identidade cai\u00e7ara do bairro sert\u00e3ozinho no munic\u00edpio de Matinhos \u2013 Paran\u00e1\u2019. \u00c9 um mergulho na identidade cai\u00e7ara do litoral paranaense numa regi\u00e3o n\u00e3o reconhecida como parte do seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Natascha Wosnick, coordenadora de Elasmobr\u00e2nquios (raias e tubar\u00f5es)<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-669\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-8.png\" sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-8.png 740w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-8-300x200.png 300w\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" \/><\/figure>\n<p>A coordenadora das pesquisas sobre Elasmobr\u00e2nquios (raias e tubar\u00f5es) do Rebimar, desenvolve diversos estudos cient\u00edficos sobre as esp\u00e9cies que frequentam a costa brasileira, envolvendo pescadores e comunidades tradicionais na conserva\u00e7\u00e3o e na conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de proteger as esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bi\u00f3loga, com mestrado em Fisiologia e doutorado em Zoologia pela UFPR, \u00e9 pesquisadora da Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil e do Laborat\u00f3rio de Predadores de Topo da Universidade de Haifa (Israel). Participa do Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o dos Tubar\u00f5es e Raias Marinhos Amea\u00e7ados de Extin\u00e7\u00e3o (Pan Tubar\u00f5es) e faz parte do Grupo de Estudos de Elasmobr\u00e2nquios do Maranh\u00e3o (GEEM) e do Paran\u00e1 (GEEP).<\/p>\n<p>\u201c<em>N\u00e3o se faz conserva\u00e7\u00e3o sem ajuda das comunidades tradicionais e do setor pesqueiro. Precisamos dessa sinergia e dessa parceria para realizar as atividades e fazer com que as medidas de conserva\u00e7\u00e3o que a gente venha a propor sejam mais efetivas, buscando formas de preservar os animais sem prejudicar as atividades econ\u00f4micas dessas pessoas.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Atualmente Natascha vem desenvolvendo estudos em diversas frentes, incluindo os efeitos da pesca e polui\u00e7\u00e3o na sa\u00fade e sobreviv\u00eancia de raias e tubar\u00f5es, com particular interesse em esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Seu projeto principal envolve a parceria com pescadores artesanais para avaliar como o estresse causado pela captura pode afetar a recupera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies com pouco valor comercial e que s\u00e3o pescadas de forma acidental.<\/p>\n<p>Com estes dados, ser\u00e1 poss\u00edvel propor medidas de manejo baseadas na soltura destes animais, considerando as chances que eles t\u00eam de sobreviver quando devolvidos \u00e0 natureza. O projeto tamb\u00e9m visa a mapear quais s\u00e3o as injurias causadas pelos aparatos de pesca, como por exemplo cortes e fraturas, procurando assim aprimorar o manejo de animais vivos e aumentar as chances de sobreviv\u00eancia ap\u00f3s a soltura.<\/p>\n<p><strong>Sarah Charlier Sarubo, Coordenadora de Flora Manguezal<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-670\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-9.png\" sizes=\"auto, (max-width: 758px) 100vw, 758px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-9.png 758w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-9-300x200.png 300w\" alt=\"\" width=\"758\" height=\"505\" \/><\/figure>\n<p>Desde a faculdade, a ocean\u00f3grafa Sarah Sarubo trabalha para entender e mapear \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o com o mar, como o manguezal e a restinga. Todo seu conhecimento no litoral de S\u00e3o Paulo, na regi\u00e3o de Canan\u00e9ia e Iguape, contribuiu para embasar os Planos de Manejo de v\u00e1rias \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental do estado.<\/p>\n<p>A coordenadora de flora de manguezais no REBIMAR tamb\u00e9m \u00e9 assistente t\u00e9cnica no Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP\/BS), e avalia a interfer\u00eancia das atividades de produ\u00e7\u00e3o e escoamento de petr\u00f3leo sobre as aves, tartarugas e mam\u00edferos marinhos. Esse trabalho \u00e9 feito com monitoramento das praias e atendimento veterin\u00e1rio a animais vivos e mortos.<\/p>\n<p>\u201c<em>Viaj\u00e1vamos em fam\u00edlia pelo o litoral de S\u00e3o Paulo durante as f\u00e9rias e durante a adolesc\u00eancia tive a certeza que queria viver pertinho dele. Na hora de escolher o curso do vestibular, ao se deparar com o curso de gradua\u00e7\u00e3o em Oceanografia, rec\u00e9m inaugurado na USP, tive a certeza que aquele era o meu caminho e fui muito feliz na minha escolha<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Tawane Yara Nunes, t\u00e9cnica de Tartarugas Marinhas<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-671\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-10.png\" sizes=\"auto, (max-width: 717px) 100vw, 717px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-10.png 717w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image-10-300x215.png 300w\" alt=\"\" width=\"717\" height=\"513\" \/><\/figure>\n<p>As habilidades dessa nadadora e surfista amadora ajudam, e muito, nas pesquisas do REBIMAR, com a fauna marinha. Embaixo da \u00e1gua, sua destreza contribui nas a\u00e7\u00f5es de captura para avalia\u00e7\u00e3o da sa\u00fade de tartarugas marinhas.<\/p>\n<p>No laborat\u00f3rio, todo seu conhecimento como ocean\u00f3grafa, e mestre em Sistemas Costeiros e Oce\u00e2nicos, enriquecem as pesquisas sobre ecologia e conserva\u00e7\u00e3o. Os dados coletados buscam compreender os padr\u00f5es de movimento e a din\u00e2mica populacional destes animais. Um trabalho que tem a perspectiva de contribuir para fornecer subs\u00eddios para a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o de Tawane pelo mar come\u00e7ou na inf\u00e2ncia quando a fam\u00edlia, de uma cidade pequena no interior do Paran\u00e1, ia para a praia no final do ano. Ao crescer, come\u00e7ou a ficar curiosa sobre como a natureza funcionava e se viu espantada pelo pouco conhecimento que existe sobre o oceano.<\/p>\n<p>\u201c<em>Decidi fazer oceanografia e durante o curso fiquei cada vez mais encantada. Entender que o oceano \u00e9 respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o da vida na terra, regulando nosso clima e produzindo o oxig\u00eanio que respiramos trouxe o desejo de proteg\u00ea-lo. Al\u00e9m disso, dentro da \u00e1gua salgada \u00e9 onde eu encontro o meu melhor estado de esp\u00edrito, seja mergulhando, surfando, nadando ou fazendo coleta para pesquisa<\/em>\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres ao mar! Um grupo de cientistas, todas refer\u00eancias em suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o, tem realizado diversas iniciativas e descobertas sobre a fauna e ecossistemas da zona costeira brasileira. Em linhas de pesquisa variadas, essas profissionais avaliam e monitoram a din\u00e2mica e a biodiversidade costeira e marinha na interface com a Mata Atl\u00e2ntica. 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