{"id":1271,"date":"2025-04-30T15:08:51","date_gmt":"2025-04-30T18:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/rebimar.ejulianoti.com.br\/?p=1271"},"modified":"2025-04-30T17:30:51","modified_gmt":"2025-04-30T20:30:51","slug":"presenca-de-microplasticos-no-litoral-do-parana-preocupa-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/presenca-de-microplasticos-no-litoral-do-parana-preocupa-cientistas\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7a de micropl\u00e1sticos no litoral do Paran\u00e1 preocupa cientistas"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><em>O primeiro levantamento desse tipo feito no estado \u00e9 realizado em tr\u00eas frentes: na \u00e1gua, em<br \/>\nsedimentos e em aves marinhas<\/em><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-657\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Coleta_Microplastico_07012023-5-1024x575.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Coleta_Microplastico_07012023-5-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Coleta_Microplastico_07012023-5-300x168.jpg 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Coleta_Microplastico_07012023-5-768x431.jpg 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Coleta_Microplastico_07012023-5-1536x863.jpg 1536w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"575\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Coleta de micropl\u00e1stico no Complexo Estuariano de Paranagu\u00e1 com a Rede MANTA. Foto: Gabriel Marchi<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"has-text-align-left\">\u201cO Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (REBIMAR) inova ao atuar em tr\u00eas frentes para avaliar os n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos (itens menores que 5mm), no litoral do Paran\u00e1. As an\u00e1lises s\u00e3o feitas na \u00e1gua, nos sedimentos e nos animais encontrados nas praias, especialmente em aves costeiras. O estudo \u00e9 realizado no Complexo Estuarino de Paranagu\u00e1, desde a Ba\u00eda de Antonina, passando pelas Ba\u00edas de Paranagu\u00e1, das Laranjeiras e de Guaraque\u00e7aba at\u00e9 a desembocadura do Canal da Galheta, ao lado da Ilha do Mel.<\/p>\n<p>Allan Krelling \u00e9 ocean\u00f3grafo e professor do Instituto Federal do Paran\u00e1 (IFPR) e coordena o grupo de pesquisa voltado ao manejo e \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o do litoral focado no lixo do mar, que tem tamb\u00e9m pesquisadores do Centro de Estudos do Mar, da Universidade Federal do Paran\u00e1 (CEM \u2013 UFPR) e da Universidade Estadual do Paran\u00e1 (UNESPAR). Dentro do REBIMAR, a equipe desenvolveu novas t\u00e9cnicas de coleta de amostras. At\u00e9 uma nova rede foi criada para essas atividades e batizada de NOIVA (Novo objeto de Investiga\u00e7\u00e3o Ambiental).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um material de baixo custo e que poder\u00e1 ser usado em outros projetos no futuro. O equipamento \u00e9 uma rede pequena, com uma boca de 50 cm e \u2018asas\u2019 ao lado, feitas de canos. Tudo que \u00e9 retido na malha \u00e9 levado ao laborat\u00f3rio para an\u00e1lise\u201d, explica Allan Krelling.<\/p>\n<p>Estudantes do ensino m\u00e9dio t\u00e9cnico do IFPR participam das atividades de pesquisa, que \u00e9 o primeiro levantamento feito na \u00e1gua do Complexo Estuarino de Paranagu\u00e1. \u201cConstatamos que, mesmo com muitas unidades de conserva\u00e7\u00e3o no entorno, os fragmentos de micropl\u00e1stico s\u00e3o uma presen\u00e7a constante. Quem navega pela regi\u00e3o, provavelmente j\u00e1 viu na linha da \u00e1gua uma esp\u00e9cie de espuma fina. Ali encontramos grandes ac\u00famulos\u201d, acrescenta o pesquisador.<\/p>\n<p>Para a ocean\u00f3grafa e vice-coordenadora da pesquisa, Fernanda Possatto, os resultados s\u00e3o preocupantes: \u201cEncontramos micropl\u00e1stico em regi\u00f5es pr\u00f3ximas \u00e0 cidade de Paranagu\u00e1 e tamb\u00e9m em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental como Guaraque\u00e7aba. Grande parte dos res\u00edduos fica na superf\u00edcie da \u00e1gua, logo, a dispers\u00e3o dos mesmos pode ser influenciada por diversos fatores como as varia\u00e7\u00f5es de mar\u00e9s e a din\u00e2mica das correntes de um modo geral\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A pesquisadora destaca que, nessas plumas ou espumas na \u00e1gua, \u00e9 poss\u00edvel detectar at\u00e9 a olho nu a presen\u00e7a desses pl\u00e1sticos. \u201cNaturalmente essas plumas concentram uma quantidade maior de mat\u00e9ria org\u00e2nica e pequenos organismos, que s\u00e3o atra\u00eddos pela disponibilidade de alimento, no entanto, nesses locais tamb\u00e9m se observa um maior ac\u00famulo de micropl\u00e1sticos que poder\u00e3o ser ingeridos tanto por pequenos animais quanto por peixes, aves, tartarugas e mam\u00edferos marinhos\u201d.<\/p>\n<p>Algumas t\u00e9cnicas identificam o que \u00e9 pl\u00e1stico ou n\u00e3o. O primeiro passo \u00e9 uma separa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, fazendo flutuar as part\u00edculas menos densas, como alguns pl\u00e1sticos, por exemplo. Depois filtra-se tudo e o que \u00e9 maior do que 1 mm \u00e9 retido. A an\u00e1lise \u00e9 visual, observando cor, formato e dimens\u00e3o. A seguir, o material passa por uma an\u00e1lise qu\u00edmica detalhada do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), definindo com precis\u00e3o qual \u00e9 o material, se trata-se de PET, polipropileno, polietileno ou outro material. \u201cIsso permite dimensionar a quantidade de micropl\u00e1stico que pode ser encontrado por quil\u00f4metro quadrado nas \u00e1guas. Esse dado \u00e9 muito importante\u201d, refor\u00e7a Allan.<\/p>\n<p>Diversas esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o vivem ou frequentam esse trecho do litoral e est\u00e3o convivendo com micropl\u00e1sticos em seu habitat. Os animais avaliados chegaram \u00e0s praias bastante debilitados\u00a0 e morreram\u00a0 ou j\u00e1 chegaram sem vida \u00e0 areia. Para a pesquisa com as aves, s\u00e3o usados os dados p\u00fablicos do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es do Monitoramento da Biota Aqu\u00e1tica (Simba) coletados pelos Projeto de Monitoramento de Praias (PMP), atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal junto ao IBAMA, das atividades da Petrobras de produ\u00e7\u00e3o e escoamento de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural na Bacia de Santos. Essas informa\u00e7\u00f5es passam agora a ser analisadas cientificamente pela equipe do REBIMAR que busca padr\u00f5es nessas mortes, a partir dos dados cient\u00edficos e laudos das necropsias.<\/p>\n<p>A outra parte da pesquisa avalia a presen\u00e7a do micropl\u00e1stico no sedimento, nos mesmos pontos da coleta aqu\u00e1tica, para verificar quanto tem de material acumulado. At\u00e9 o momento, foram realizadas 7 sa\u00eddas de campo, com coleta de 298 amostras de \u00e1gua e 298 amostras de sedimentos. Todo o trabalho do REBIMAR tem o patroc\u00ednio da Petrobras e do Governo Federal.<\/p>\n<p>Durante as primeiras triagens e pelas fotografias dos itens, foi poss\u00edvel identificar uma grande variedade de cores, tamanhos e formas dos micropl\u00e1sticos coletados. Inclusive, algumas imagens refor\u00e7am a preocupa\u00e7\u00e3o com a degrada\u00e7\u00e3o desses res\u00edduos em um curto per\u00edodo de tempo, se tornando os chamados nanopl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 resultado de a\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas como das ondas e a exposi\u00e7\u00e3o de raios solares que fazem com que os pl\u00e1sticos maiores se degradem, se tornando cada vez menores e mais acess\u00edveis \u00e0 ingest\u00e3o por organismos marinhos\u201d, acrescenta a pesquisadora do REBIMAR. \u201cEncontra-se micropl\u00e1stico n\u00e3o s\u00f3 em aves, tartarugas e mam\u00edferos, mas tamb\u00e9m em organismos filtradores, como ostras e mariscos. Existem estudos que comprovam a presen\u00e7a de pl\u00e1stico no organismo humano, pois ingerimos peixe e outros animais que est\u00e3o contaminados\u201d, completa Possatto.<\/p>\n<p><strong>Impacto nas aves<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong>Tr\u00eas esp\u00e9cies de aves foram necropsiadas: atob\u00e1s (Sula leucogaster), gaivotas (Larus dominicanus) e fragatas (Fregata magnificens). Das 153 amostras de aves analisadas, um total de 11,4% apresentou presen\u00e7a de res\u00edduo s\u00f3lido de origem humana. \u201cMesmo que encontr\u00e1ssemos poucos indiv\u00edduos j\u00e1 seria preocupante. Mas j\u00e1 confirmamos uma quantidade bem relevante de animais ingerindo pl\u00e1stico\u201d, avalia Fernanda Possatto.<\/p>\n<p>As fragatas apresentaram os piores \u00edndices: 20% de ocorr\u00eancia de res\u00edduos s\u00f3lidos no trato gastrointestinal; os atob\u00e1s registraram 13,3%; e as gaivotas, 6,7%. O trabalho do REBIMAR \u00e9 in\u00e9dito e vai contribuir com dados relevantes que possam embasar pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cA ideia \u00e9 falar sobre a coexist\u00eancia e ter um mapeamento para entender no futuro o impacto dos res\u00edduos humanos sobre indiv\u00edduos da fauna\u201d, conclui Allan Paul Krelling.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro levantamento desse tipo feito no estado \u00e9 realizado em tr\u00eas frentes: na \u00e1gua, em sedimentos e em aves marinhas Coleta de micropl\u00e1stico no Complexo Estuariano de Paranagu\u00e1 com a Rede MANTA. 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