{"id":1277,"date":"2025-04-30T15:08:51","date_gmt":"2025-04-30T18:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/rebimar.ejulianoti.com.br\/?p=1277"},"modified":"2025-04-30T17:30:16","modified_gmt":"2025-04-30T20:30:16","slug":"pescadores-e-cientistas-se-unem-para-conservar-raia-viola-no-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/pescadores-e-cientistas-se-unem-para-conservar-raia-viola-no-parana\/","title":{"rendered":"Pescadores e cientistas se unem para conservar raia viola no Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pescadores e cientistas se unem para conservar raia viola no Paran\u00e1<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-600\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Rebimar_Meros_Raias_03082022-8.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p>Um animal forte e robusto, como a raia-viola-de-focinho-curto, habita o fundo do mar, o<br \/>\nmesmo habitat do peixe linguado, valorizado comercialmente. Capturada por acidente nas<br \/>\nredes de linguado, sua sobreviv\u00eancia s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel pelas caracter\u00edsticas de for\u00e7a e robustez e<br \/>\npela dedica\u00e7\u00e3o de um projeto que envolve pescadores e a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>O Programa Rebimar, patrocinado pela Petrobras, desenvolve uma log\u00edstica de resgate,<br \/>\ncuidado e soltura das raias viola. Atrav\u00e9s do projeto, o bycatch, como \u00e9 conhecida a captura<br \/>\nacidental, n\u00e3o representa o fim da vida das raias viola, que est\u00e3o na lista vermelha dos<br \/>\nanimais em extin\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Internacional da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).<\/p>\n<p>Todo ano, desde maio at\u00e9 meados de dezembro, \u00e9 muito prov\u00e1vel que os pescadores<br \/>\nartesanais no litoral Paran\u00e1 voltem com centenas de raias presas nas redes de pesca. Ao<br \/>\ncontr\u00e1rio do linguado, elas n\u00e3o t\u00eam comercializa\u00e7\u00e3o no mercado de peixe. No mar, por\u00e9m,<br \/>\nt\u00eam um valor imenso para a biodiversidade.<\/p>\n<p>Segundo a bi\u00f3loga e pesquisadora respons\u00e1vel pelo estudo de raias no Rebimar, Natascha<br \/>\nWosnick, cerca de 95% das raias chegam com vida depois da captura. \u201cElas se mant\u00eam vivas<br \/>\nmesmo depois de todo o estresse de passarem um a dois dias presas na rede e serem trazidas<br \/>\nempilhadas dentro do barco, uma viagem que pode durar at\u00e9 tr\u00eas horas at\u00e9 a praia\u201d, conta<br \/>\nWosnick.<\/p>\n<p><strong>Do barco para a piscina, e de volta ao mar<\/strong><\/p>\n<p>O grande sucesso do projeto vem de uma parceria. Pescadores artesanais e pesquisadores do<br \/>\nRebimar est\u00e3o em contato constante durante o per\u00edodo de captura acidental das raias. Um<br \/>\nacordo entre eles permitiu, nos \u00faltimos 10 anos, que quase 3 mil raias viola tivessem a sa\u00fade<br \/>\nrecuperada e voltassem ao mar.<\/p>\n<p>O desembarque ocorre em Matinhos-PR, onde podem descer cerca de 200 raias numa s\u00f3<br \/>\nviagem. Os pescadores doam os animais ou recebem um valor simb\u00f3lico em dinheiro por raia<br \/>\ncapturada, como forma de compensar o trabalho de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E por que as raias n\u00e3o s\u00e3o soltas diretamente em alto mar? Wosnick explica que a<br \/>\nquantidade de raias nas redes pode ser expressiva. \u201cQuando s\u00e3o pequenas ou est\u00e3o gr\u00e1vidas,<br \/>\nos pescadores costumam solt\u00e1-las l\u00e1 mesmo, no local de pesca. Mas no dia a dia, com<br \/>\ncentenas delas, fica invi\u00e1vel para o trabalho tirar uma por uma. N\u00f3s consideramos a<br \/>\nrealidade do pescador\u201d, explica.<\/p>\n<p>Quando \u00e9 feito o desembarque, a equipe do Rebimar, que conta com cinco bi\u00f3logos, \u00e9<br \/>\nacionada. Muitas s\u00e3o soltas ali mesmo, e algumas s\u00e3o escolhidas para o monitoramento, para<br \/>\nonde s\u00e3o transportadas em caixas de pl\u00e1stico por cerca de 50 minutos de carro at\u00e9 a sede do<br \/>\nRebimar.<\/p>\n<p>O Projeto Rebimar possui tr\u00eas piscinas para acomodar as raias viola, desenvolvidas<br \/>\nespecialmente para esta fun\u00e7\u00e3o. \u201cAs piscinas mant\u00eam as propriedades da \u00e1gua que s\u00e3o<br \/>\ninteressantes para manter os animais com bem-estar\u201d, conta o bi\u00f3logo e t\u00e9cnico do projeto,<br \/>\nLeonardo de Paula Rios.<\/p>\n<p>Este ambiente controlado conta com filtros biol\u00f3gicos que ajudam a limpar a \u00e1gua de<br \/>\nsubst\u00e2ncias produzidas pelas pr\u00f3prias raias no momento de estresse e que, num espa\u00e7o<br \/>\nmuito menor que o mar, n\u00e3o s\u00e3o dilu\u00eddas e s\u00e3o t\u00f3xicas aos animais.<\/p>\n<p>Em cada piscina cabem cerca de cinco a seis raias, de acordo com o peso, que tem m\u00e9dia de<br \/>\n600 gramas por indiv\u00edduo. \u201cAli s\u00e3o monitoradas, tratadas e avaliadas. No final de cinco dias,<br \/>\naproximadamente, os marcadores de estresse mostram que elas est\u00e3o aptas a voltar ao mar\u201d.<br \/>\nA soltura \u00e9 feita na praia, muitas vezes com a presen\u00e7a de crian\u00e7as, numa atividade de<br \/>\neduca\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Segundo Rios, este trabalho mira a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. \u201cA chance das raias se<br \/>\nreproduzirem estando saud\u00e1veis \u00e9 maior, o que pode ajudar no aumento da popula\u00e7\u00e3o da<br \/>\nesp\u00e9cie amea\u00e7ada\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Conhecimento tradicional<\/strong><\/p>\n<p>As raias viola habitam o Oceano Atl\u00e2ntico, desde a ponta da Argentina, passando pelo<br \/>\nUruguai e contornando a costa brasileira, alcan\u00e7ando as \u00e1guas marinhas do Rio de Janeiro.<br \/>\nApesar da vasta extens\u00e3o de \u00e1rea onde vivem, os pescadores t\u00eam conhecimentos espec\u00edficos<br \/>\nde localiza\u00e7\u00e3o valiosos para a conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEles nos fornecem informa\u00e7\u00f5es muito importantes como pontos de maior captura, onde<br \/>\nocorrem mais machos ou mais f\u00eameas, as condi\u00e7\u00f5es ambientais\u201d, detalha Wosnick.<\/p>\n<p>\u00c9 por esses conhecimentos que o Projeto Rebimar valoriza o trabalho dos pescadores. Com a<br \/>\najuda deles, a pesquisa desenvolvida apresenta um banco de dados diverso, que cont\u00e9m<br \/>\ninforma\u00e7\u00f5es sobre a fisiologia das raias viola no Paran\u00e1, os locais de captura, o mapeamento<br \/>\nde dados reprodutivos, entre outros. Os pr\u00f3ximos passos devem envolver ainda mais os<br \/>\nconhecimentos tradicionais e cient\u00edficos.<\/p>\n<p>\u201cQueremos criar um modelo co-participativo de gest\u00e3o deste recurso pesqueiro, com<br \/>\ninclus\u00e3o dos pescadores nas tomadas de decis\u00e3o; entender o que eles pensam das leis que<br \/>\nest\u00e3o sendo criadas; se se sentem representados e quais pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o seriam<br \/>\nbem-vindas por eles\u201d, conclui Wosnick.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pescadores e cientistas se unem para conservar raia viola no Paran\u00e1 Um animal forte e robusto, como a raia-viola-de-focinho-curto, habita o fundo do mar, o mesmo habitat do peixe linguado, valorizado comercialmente. 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