{"id":1278,"date":"2025-04-30T15:08:51","date_gmt":"2025-04-30T18:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/rebimar.ejulianoti.com.br\/?p=1278"},"modified":"2025-05-13T16:36:28","modified_gmt":"2025-05-13T19:36:28","slug":"tecnica-estrangeira-para-medir-presenca-de-microplasticos-serareplicada-no-litoral-do-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/tecnica-estrangeira-para-medir-presenca-de-microplasticos-serareplicada-no-litoral-do-parana\/","title":{"rendered":"T\u00e9cnica estrangeira para medir presen\u00e7a de micropl\u00e1sticos ser\u00e1<br>replicada no litoral do Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><strong>Projeto Rebimar investiga concentra\u00e7\u00e3o de part\u00edculas de pl\u00e1stico nocivas \u00e0 sa\u00fade marinha<br \/>\ne humana em sete regi\u00f5es de praia e mangue<\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-597\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image-1024x576.png\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image-1024x576.png 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image-300x169.png 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image-768x432.png 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/image-1536x864.png 1536w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" \/><\/figure>\n<p>Uma rede com pequenas aberturas de 0,3 mil\u00edmetros, replicada de um modelo holand\u00eas de<br \/>\npesquisa marinha, ser\u00e1 lan\u00e7ada em sete regi\u00f5es do Complexo Estuarino de Paranagu\u00e1. Nas<br \/>\nan\u00e1lises, ser\u00e1 poss\u00edvel identificar a concentra\u00e7\u00e3o de micropl\u00e1sticos em pontos pr\u00f3ximos e<br \/>\ndistantes da faixa costeira, desde Antonina at\u00e9 Pontal do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o do Projeto Rebimar, que \u00e9 patrocinado pela Petrobras, come\u00e7a dentro do barco: uma<br \/>\nequipe de t\u00e9cnicos do Rebimar puxa a rede usando a t\u00e9cnica de arrasto na superf\u00edcie da \u00e1gua.<br \/>\nS\u00e3o considerados micropl\u00e1sticos os res\u00edduos de pol\u00edmeros com tamanho inferior a 0,5<br \/>\ncent\u00edmetro. Os pesquisadores do Rebimar j\u00e1 sabem que h\u00e1 presen\u00e7a deste tipo de res\u00edduo no<br \/>\nlitoral do estado, mas querem saber o tamanho do problema.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o basta termos o diagn\u00f3stico de uma doen\u00e7a. \u00c9 preciso saber se ela j\u00e1 se alastrou e qual a<br \/>\nsua gravidade\u201d, comenta Allan Paul Krelling, professor do Instituto Federal do Paran\u00e1 e<br \/>\nocean\u00f3grafo do Rebimar respons\u00e1vel pela investiga\u00e7\u00e3o. Krelling j\u00e1 pesquisou a circula\u00e7\u00e3o de<br \/>\nmacropl\u00e1stico na regi\u00e3o, res\u00edduo que mede de 2,5 cent\u00edmetros a um metro de comprimento,<br \/>\ne os impactos econ\u00f4micos da presen\u00e7a deste res\u00edduo.<\/p>\n<p>Segundo o ocean\u00f3grafo, o preju\u00edzo da quantidade expressiva de macropl\u00e1stico no litoral do<br \/>\nParan\u00e1 pode chegar a 8,5 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, apenas no munic\u00edpio de Pontal do<br \/>\nParan\u00e1. \u201cEsta \u00e9 a quantia que se deixaria de ganhar quando turistas evitam as praias devido \u00e0<br \/>\nalta presen\u00e7a de lixo na \u00e1gua e na areia. O micropl\u00e1stico, que tem origem na degrada\u00e7\u00e3o do<br \/>\npl\u00e1stico, traz outras consequ\u00eancias\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Depois de quatro meses de prepara\u00e7\u00e3o, entre parcerias com a Universidade Federal de<br \/>\nPernambuco, que j\u00e1 usa a t\u00e9cnica, e a confec\u00e7\u00e3o das redes, as sa\u00eddas de barco come\u00e7aram. A<br \/>\ncoleta de informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o ser\u00e1 apenas na superf\u00edcie da \u00e1gua, mas tamb\u00e9m nas \u00e1reas de<br \/>\nsedimentos de fundo, com profundidade de at\u00e9 cinco metros.<\/p>\n<p>\u201cBoa parte dos micropl\u00e1sticos flutuam, mas cerca de 50% deles afundam. Vamos coletar uma<br \/>\n\u2018fatia\u2019 desses sedimentos para entender o que fica depositado l\u00e1\u201d, explica Krelling. Outro<br \/>\nambiente marinho, o mangue, tamb\u00e9m deve passar por an\u00e1lise, caso as amostragens sejam<br \/>\nvi\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Micropl\u00e1stico: de onde vem, para onde vai?<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o ocean\u00f3grafo Allan Paul Krelling, h\u00e1 estimativas de que 80% dos res\u00edduos<br \/>\nencontrados nos oceanos s\u00e3o de origem terrestre. Os res\u00edduos s\u00e3o carregados pela chuva ou<br \/>\nrede de esgoto aos rios. Como o sistema de saneamento b\u00e1sico n\u00e3o \u00e9 capaz de filtrar<br \/>\nmicropl\u00e1sticos, o material \u00e9 despejado no mar.<\/p>\n<p>O impacto de pequenos pl\u00e1sticos no mar j\u00e1 era alerta de v\u00e1rios cientistas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o na<br \/>\nd\u00e9cada de 1980. Um dos grandes problemas est\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o dos nibs, como aponta o<br \/>\nprofessor titular do Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo e conselheiro da<br \/>\nAssocia\u00e7\u00e3o MarBrasil, Frederico Brandini.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria petroqu\u00edmica se inspirou no tamanho dos gr\u00e3os de soja para transporte em<br \/>\nnavios ao criar os nibs, pequenos peda\u00e7os de pl\u00e1stico que, uma vez derretidos, servem a<br \/>\noutros setores da ind\u00fastria para criar qualquer utens\u00edlio de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>O problema est\u00e1 na log\u00edstica. Assim como vemos milh\u00f5es de gr\u00e3os de soja \u00e0 beira de estradas<br \/>\ne outros incont\u00e1veis s\u00e3o perdidos no transporte pelo mar, o mesmo ocorre com os nibs. A<br \/>\ndiferen\u00e7a \u00e9 que os gr\u00e3os de soja s\u00e3o org\u00e2nicos e se decomp\u00f5em, enquanto os nibs de pl\u00e1stico<br \/>\nse depositam e viajam pelos oceanos.<\/p>\n<p>Brandini afirma que este processo j\u00e1 contaminou todo o planeta. \u201cQualquer praia do mundo<br \/>\ntem nibs, mesmo uma ilha oce\u00e2nica distante e \u00e1reas marinhas protegidas, como as unidades<br \/>\nde conserva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o professor, este pl\u00e1stico tamb\u00e9m se decomp\u00f5em, como outros, ao receber raios<br \/>\nultravioleta. \u201cBoiando no mar, em poucos dias estes pequenos res\u00edduos s\u00e3o colonizados por<br \/>\nbact\u00e9rias, que d\u00e3o \u00e0 part\u00edcula o cheiro de comida\u201d. Ele explica que os animais marinhos s\u00e3o<br \/>\norientados pela audi\u00e7\u00e3o e olfato, sendo v\u00edtimas do falso alimento. \u201cSe voc\u00ea jogar um peda\u00e7o<br \/>\nde pl\u00e1stico na frente de uma tartaruga, ela n\u00e3o vai abocanh\u00e1-lo. Mas se o mesmo peda\u00e7o ficar<br \/>\numa semana no mar, a mesma tartaruga vai ingeri-lo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Contamina\u00e7\u00e3o marinha e humana<\/strong><\/p>\n<p>Durante as entrevistas com os especialistas costeiros, Allan Paul Krelling lembrou de<br \/>\npesquisas que j\u00e1 detectaram nanopl\u00e1sticos na placenta humana. Frederico Brandini recorda<br \/>\ninvestiga\u00e7\u00f5es que alertam sobre a presen\u00e7a de micropl\u00e1stico no sal de cozinha.<\/p>\n<p>Camila Domit, bi\u00f3loga do Centro de Estudos do Mar, afirma que o micropl\u00e1stico causa um<br \/>\n\u201cefeito cascata\u201d na biodiversidade marinha que atinge a n\u00f3s, humanos. \u201cOs animais que est\u00e3o<br \/>\nna base da cadeia alimentar no fundo do mar ingerem micropl\u00e1sticos, como os poliquetas,<br \/>\nque s\u00e3o as minhocas do mar. Os poliquetas servem de comida para peixes, que s\u00e3o ingeridos<br \/>\npor peixes maiores, e assim por diante. \u00c9 exatamente assim que o micropl\u00e1stico vem parar<br \/>\nna gente\u201d, ilustra a bi\u00f3loga.<\/p>\n<p>A pesquisa do Projeto Rebimar deve colaborar para outras descobertas futuras do meio<br \/>\nambiente marinho, como tipos de pl\u00e1stico presentes na regi\u00e3o, alcance destas part\u00edculas e<br \/>\npreju\u00edzos \u00e0 fauna. Os primeiros resultados s\u00e3o esperados no fim deste ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto Rebimar investiga concentra\u00e7\u00e3o de part\u00edculas de pl\u00e1stico nocivas \u00e0 sa\u00fade marinha e humana em sete regi\u00f5es de praia e mangue Uma rede com pequenas aberturas de 0,3 mil\u00edmetros, replicada de um modelo holand\u00eas de pesquisa marinha, ser\u00e1 lan\u00e7ada em sete regi\u00f5es do Complexo Estuarino de Paranagu\u00e1. 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