{"id":1283,"date":"2025-04-30T15:08:51","date_gmt":"2025-04-30T18:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/rebimar.ejulianoti.com.br\/?p=1283"},"modified":"2025-09-03T15:35:46","modified_gmt":"2025-09-03T18:35:46","slug":"parana-e-unico-estado-que-nao-tem-periodo-de-defeso-para-reproducao-do-caranguejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/parana-e-unico-estado-que-nao-tem-periodo-de-defeso-para-reproducao-do-caranguejo\/","title":{"rendered":"Paran\u00e1 \u00e9 \u00fanico estado que n\u00e3o tem per\u00edodo de defeso para reprodu\u00e7\u00e3o do caranguejo"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\" style=\"text-align: center;\"><em><em>Sem prote\u00e7\u00e3o legal, a esp\u00e9cie fica vulner\u00e1vel \u00e0 captura ao sair das tocas para acasalar. Pesquisadores levantam dados sobre as consequ\u00eancias ao longo do tempo. Uma delas \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o no tamanho ano ap\u00f3s ano.<\/em><\/em><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-1681 aligncenter\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/caranguejo-uca-1024x576.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/caranguejo-uca-1024x576.png 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/caranguejo-uca-300x169.png 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/caranguejo-uca-768x432.png 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/caranguejo-uca.png 1366w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Caranguejo-u\u00e7\u00e1. Foto: Gabriel Marchi<\/p>\n<p>O caranguejo-u\u00e7\u00e1 \u00e9 a principal esp\u00e9cie de crust\u00e1ceo extra\u00edda para fins comerciais dos manguezais brasileiros, de acordo com dados do IBAMA. A captura ocorre ao longo de toda costa. Em todos os estados h\u00e1 um per\u00edodo de defeso, ou seja, a captura \u00e9 proibida em \u00e9poca de reprodu\u00e7\u00e3o. Mas no Paran\u00e1 a lei protegendo a esp\u00e9cie permite a captura de dezembro a mar\u00e7o, juntamente quando os caranguejos ficam totalmente vulner\u00e1veis ao sair da toca para acasalar.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie j\u00e1 foi inclu\u00edda na Lista Nacional das Esp\u00e9cies de Invertebrados Aqu\u00e1ticos e Peixes Sobreexplotadas ou Amea\u00e7adas de Sobreexplota\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Isso significa que a captura da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande, em todas as idades, que reduz a biomassa, o potencial de desova e as capturas no futuro a n\u00edveis inferiores aos de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>No litoral paranaense, a captura do caranguejo come\u00e7a em dezembro e vai at\u00e9 perto do dia 15 de mar\u00e7o. Duas portarias do Ibama estabelecem, entre outras coisas, tamanhos m\u00ednimos, prevendo multas e at\u00e9 pris\u00e3o por desobedi\u00eancia \u00e0s normas. Enquanto nos outros estados, o caranguejo pode ser comercializado a partir de 6 cm de largura da carapa\u00e7a, no Paran\u00e1 o limite m\u00ednimo \u00e9 7 cm. Mas praticamente n\u00e3o h\u00e1 controle nem fiscaliza\u00e7\u00e3o. Um dos impactos \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do tamanho do caranguejo ao longo do tempo.<\/p>\n<p>\u201cA sele\u00e7\u00e3o por tamanho \u00e9 descrita para qualquer esp\u00e9cie super explorada comercialmente. Quando se tira os grandes indiv\u00edduos da popula\u00e7\u00e3o antes deles reproduzirem, a gen\u00e9tica n\u00e3o passa paras pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. Temos ouvido muitos testemunhos dessa redu\u00e7\u00e3o no tamanho ano ap\u00f3s ano, por parte de coletores e atravessadores\u201d, conta a pesquisadora Cassiana Baptista Metri, do Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha, REBIMAR, da Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil.<\/p>\n<p>Metri explica que a esp\u00e9cie demora de 4 a 5 anos para atingir a maturidade e pode viver pouco mais de 10 anos. \u201cQuando se captura um animal de grande porte, ele levou at\u00e9 8 anos para chegar a esse tamanho, e o crescimento \u00e9 coordenado, quando um est\u00e1 maduro, pode ter certeza que os outros tamb\u00e9m v\u00e3o estar\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe um hist\u00f3rico de dados estat\u00edsticos da captura de caranguejo, apenas iniciativas pontuais de pesquisa. Com isso, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel confirmar cientificamente as mudan\u00e7as f\u00edsicas na esp\u00e9cie. O REBIMAR, patrocinado pelo Programa Petrobras Socioambiental e pelo Governo Federal, j\u00e1 est\u00e1 na quarta edi\u00e7\u00e3o, e a longa hist\u00f3ria com a regi\u00e3o costeira do Paran\u00e1 e do sul de S\u00e3o Paulo j\u00e1 revelou descobertas importantes. Para os pesquisadores, chegou o momento em que, para responder algumas perguntas, \u00e9 preciso entender algumas rela\u00e7\u00f5es dos caranguejos com o ambiente em que vivem.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Mais do que um alimento, o crust\u00e1ceo tem papel importante no ecossistema costeiro<\/strong><\/p>\n<p>Seu comportamento e suas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade est\u00e3o sendo decifrados. H\u00e1 caranguejos end\u00eamicos, que s\u00f3 ocorrem em \u00e1reas de manguezal. Eles tendem a responder \u00e0s press\u00f5es ambientais de v\u00e1rias formas. A composi\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, a quantidade e at\u00e9 mesmo os pr\u00f3prios tecidos dos caranguejos podem indicar a presen\u00e7a de metais pesados e outros contaminantes. \u201cO caranguejo \u00e9 bastante resiliente, aguenta muita bordoada, mas quando nos dedicamos a an\u00e1lises mais delicadas e complexas, encontramos ind\u00edcios bem importantes, especialmente com o caranguejo-u\u00e7\u00e1, esp\u00e9cie mais comercializada e consumida no Brasil\u201d, alerta Cassiana Metri.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Al\u00e9m do trabalho nos laborat\u00f3rios, a equipe do REBIMAR\u00a0 \u201cenfiou o p\u00e9 na lama\u201d para estudar a complexa sociedade dos caranguejos. A reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 um grande evento para a esp\u00e9cie.\u00a0 Ocorre em per\u00edodos de luas nova e cheia, durante mar\u00e9s e per\u00edodos de chuva bem espec\u00edficos.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Os caranguejos-u\u00e7\u00e1 s\u00e3o muito organizados e absurdamente territorialistas. A esp\u00e9cie cava as galerias no manguezal e esse espa\u00e7o \u00e9 habitado por um \u00fanico bicho. Nem para acasalar o caranguejo divide a casa. Mas na \u00e9poca reprodutiva, no ver\u00e3o, eles abandonam as suas tocas e se reproduzem todos juntos, em massa, em um fen\u00f4meno chamado de andada ou corrida do caranguejo.<\/p>\n<p>Essa sa\u00edda da toca n\u00e3o ocorre com frequ\u00eancia. A esp\u00e9cie espera ter uma luz, uma quantidade de chuva e uma qualidade da \u00e1gua bem espec\u00edficas.\u00a0 \u201cPrecisa de quase um alinhamento dos planetas para isso acontecer\u201d, brinca Cassiana Metri.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie arisca, super t\u00edmida, mas no momento certo todos saem da toca. Os machos brigam e disputam a f\u00eamea. Logo ap\u00f3s o acasalamento, ela sobe nos caules do manguezal e solta os ovos, em um momento super interessante. De dois a tr\u00eas meses as f\u00eameas ficam com esses ovinhos incubados e depois soltam na \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>Como seres semi-terrestres, possuem uma c\u00e2mara branquial e t\u00eam capacidade de resistir longos per\u00edodos fora da \u00e1gua. \u201cPor isso vemos aqueles cachos de caranguejos vivos \u00e0 venda\u201d.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u00a0Apesar de muito estudados no Brasil, perguntas importantes sobre o caranguejo-u\u00e7\u00e1 precisam ser respondidas\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>No Paran\u00e1, como em outros estados, a captura do caranguejo carece de informa\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, isto \u00e9, caracterizar o quanto \u00e9 capturado, quem s\u00e3o os catadores e quais as rotas de comercializa\u00e7\u00e3o s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es imprescind\u00edveis \u00e0 gest\u00e3o desse recurso.<\/p>\n<p>A estat\u00edstica pesqueira de longo prazo \u00e9 important\u00edssima para se avaliar se o estoque est\u00e1 diminuindo ou n\u00e3o. Al\u00e9m disso, entender a depend\u00eancia das pessoas com a captura do caranguejo pode embasar alternativas de manejo que tragam benef\u00edcio aos pescadores tradicionais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o da quantidade e do tamanho dos caranguejos pode levar a maior vulnerabilidade social dos catadores aumentando o esfor\u00e7o (tempo de pesca) e tornando-os mais suscet\u00edveis a problemas com a fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o sabemos se temos \u00e1reas principais de reprodu\u00e7\u00e3o para o fornecimento de larvas para outros manguezais. No Paran\u00e1, acredita-se que as principais regi\u00f5es de fornecimento de larvas sejam justamente os manguezais da Ba\u00eda de Paranagu\u00e1, justamente numa regi\u00e3o com atividades industriais e portu\u00e1rias, al\u00e9m do elevado despejo de esgoto dom\u00e9stico das cidades da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 entender o quanto os caranguejos podem acumular de poluentes e os riscos para os consumidores, sejam eles as pessoas ou os animais da cadeia alimentar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem prote\u00e7\u00e3o legal, a esp\u00e9cie fica vulner\u00e1vel \u00e0 captura ao sair das tocas para acasalar. Pesquisadores levantam dados sobre as consequ\u00eancias ao longo do tempo. Uma delas \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o no tamanho ano ap\u00f3s ano. Caranguejo-u\u00e7\u00e1. Foto: Gabriel Marchi O caranguejo-u\u00e7\u00e1 \u00e9 a principal esp\u00e9cie de crust\u00e1ceo extra\u00edda para fins comerciais dos manguezais brasileiros, de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1681,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1283","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-release"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1283"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1283\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1683,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1283\/revisions\/1683"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}