{"id":1286,"date":"2025-04-30T15:08:50","date_gmt":"2025-04-30T18:08:50","guid":{"rendered":"https:\/\/rebimar.ejulianoti.com.br\/?p=1286"},"modified":"2025-04-30T17:32:37","modified_gmt":"2025-04-30T20:32:37","slug":"censo-no-fundo-do-mar-vai-estimar-a-populacao-de-peixes-gigantes-no-litoral-do-parana-e-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/censo-no-fundo-do-mar-vai-estimar-a-populacao-de-peixes-gigantes-no-litoral-do-parana-e-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Censo no fundo do mar vai estimar a popula\u00e7\u00e3o de peixes gigantes no litoral do Paran\u00e1 e de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u00a0Pesquisadores mergulham fundo em recifes naturais e artificiais para saber a quantidade de Meros e outras esp\u00e9cies. Os dados v\u00e3o contribuir para a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e para compreender as mudan\u00e7as desses ambientes submersos ao longo do tempo.<\/em><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-444\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/WhatsApp-Image-2021-10-18-at-12.02.43-18-1024x792.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/WhatsApp-Image-2021-10-18-at-12.02.43-18-1024x792.jpeg 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/WhatsApp-Image-2021-10-18-at-12.02.43-18-300x232.jpeg 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/WhatsApp-Image-2021-10-18-at-12.02.43-18-768x594.jpeg 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/WhatsApp-Image-2021-10-18-at-12.02.43-18.jpeg 1280w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"792\" \/><figcaption>Pesquisador e Mero (<em>Epinephelus itajara<\/em>)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O mero est\u00e1 no topo da cadeia alimentar. Sua dieta inclui peixes, moluscos e crust\u00e1ceos, acabando assim por controlar a popula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias esp\u00e9cies que v\u00eam abaixo dele.<\/p>\n<p>Durante dois anos, um grupo de mergulhadores cient\u00edficos do <strong>Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (REBIMAR) da Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil <\/strong>vai percorrer paisagens submersas para monitorar a fauna marinha. Al\u00e9m dos Meros, eles v\u00e3o registrar em fotos e v\u00eddeos os cardumes de peixes e muitas outras esp\u00e9cies da fauna que convivem no ambiente submerso. \u201c<em>Com o censo vamos entender a evolu\u00e7\u00e3o dos recifes artificiais para compreender como eles se comportam ao longo do tempo. Nunca ser\u00e3o iguais aos ambientes recifais naturais, pela complexidade, quantidade de fendas, buracos e riqueza de esp\u00e9cies. Mas a import\u00e2ncia \u00e9 <\/em><strong><em>monitorar<\/em><\/strong><em> ao longo do tempo para compreender o desenvolvimento da fauna e avaliar a ocorr\u00eancia de novas esp\u00e9cies que possam colonizar esses ambientes, ou ainda verificar a redu\u00e7\u00e3o de algumas esp\u00e9cies de peixes que s\u00e3o alvo de pesca\u201d, <\/em>explica <strong>Andr\u00e9 Cattani, coordenador geral do REBIMAR IV.<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores j\u00e1 come\u00e7aram a contagem no trecho que abriga o Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, nos ambientes recifais das Ilhas de Castilho e Figueira, no litoral de S\u00e3o Paulo, e nos bancos de arenitos localizados no litoral paranaense pr\u00f3ximos \u00e0s balsas naufragadas Dianka e Espera 7.<\/p>\n<p>\u201c<em>Dois mergulhadores descem at\u00e9 os locais da amostragem e esticam uma trena de 25 metros. Eles percorrem essa dist\u00e2ncia e fazem as observa\u00e7\u00f5es dos peixes com <\/em><strong><em>identifica\u00e7\u00e3o visual e filmagem<\/em><\/strong><em>, caso precise confirmar alguma esp\u00e9cie que n\u00e3o reconhecemos imediatamente. Vamos contar os Meros e monitorar os peixes menores que ficam em tocas e a fauna incrustante, aquelas algas e organismos que se fixam nos cost\u00f5es e recifes artificiais<\/em>\u201d, detalha Cattani.<\/p>\n<p>Para o censo, os pesquisadores v\u00e3o usar equipamento de mergulho com <strong><em>rebreather<\/em><\/strong>, sistema de circuito fechado de ar comprimido, em que o mergulhador n\u00e3o produz bolhas nem ru\u00eddos. O <strong><em>rebreather<\/em><\/strong> \u00e9 muito mais <strong>discreto<\/strong> no ambiente marinho do que o usual cilindro de ar, o qual produz bolhas, permitindo <strong>mais tempo de observa\u00e7\u00e3o <\/strong>de esp\u00e9cies e seus c<strong>omportamentos naturais<\/strong>. Com essa inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, os mergulhadores conseguem permanecer no fundo por per\u00edodos de 60 minutos em profundidades de at\u00e9 30 metros.<\/p>\n<p>A pesquisa conta com a parceria e experi\u00eancia de outra iniciativa patrocinada pela Petrobras atrav\u00e9s do Programa Petrobras Socioambiental: o <strong>Projeto Meros do Brasil,<\/strong> que atua h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas no estudo, no monitoramento e na conserva\u00e7\u00e3o desses peixes gigantes.\u00a0<em>\u201cO levantamento da abund\u00e2ncia \u00e9 uma ferramenta para estudar a popula\u00e7\u00e3o e o tamanho dos Meros ao longo das esta\u00e7\u00f5es do ano, e permite principalmente entender em que \u00e9poca est\u00e3o reunidos e em quais locais, quando come\u00e7am a chegar para se reproduzir e como se d\u00e1 essa varia\u00e7\u00e3o ao longo dos anos. Com base nesses dados, podemos tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, explica <strong>Matheus Oliveira Freitas, coordenador do Projeto Meros do Brasil no Paran\u00e1.<\/strong><\/p>\n<p>Dessa forma, conhecendo os locais e <strong>\u00e9pocas de reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong>, os pesquisadores poder\u00e3o contribuir com os \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores. Os dados ainda ir\u00e3o ajudar a identificar <strong>\u00e1reas priorit\u00e1rias<\/strong> para cria\u00e7\u00e3o de novas unidades de conserva\u00e7\u00e3o e no manejo das j\u00e1 existentes, somando esfor\u00e7os para evitar o desaparecimento dos Meros. \u201c<em>O censo tamb\u00e9m vai contribuir para comparar \u00e1reas protegidas, como o Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais com \u00e1reas desprotegidas e assim verificar se as Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o cumprem seu papel<\/em>\u201d, completa Freitas.<\/p>\n<p>Quando o Programa REBIMAR da Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil come\u00e7ou, era muito raro avistar um Mero na costa paranaense. Era um peixe que j\u00e1 estava praticamente em <strong>processo de extin\u00e7\u00e3o<\/strong>, n\u00e3o s\u00f3 no Paran\u00e1, mas em escala global.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou em 1998, com o <strong>Projeto RAM <\/strong>(Recifes Artificiais Marinhos) da Universidade Federal do Paran\u00e1 (<strong>UFPR<\/strong>). Ap\u00f3s diversos estudos, foi feita uma interven\u00e7\u00e3o in\u00e9dita do estado para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de reprodu\u00e7\u00e3o e abrigo de algumas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201c<em>Foram afundadas cerca de duas mil estruturas de concreto e mais duas balsas graneleiras, na regi\u00e3o do Parque Nacional Marinho de Currais e das Ilhas Itacolomis, formando o ponto conhecido hoje como <\/em><strong><em>Parque dos Meros<\/em><\/strong><em>. Al\u00e9m disso, a Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil, com o Programa REBIMAR, instalou 5500 estruturas de concreto para a manuten\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha, paralelas \u00e0 costa de Pontal do Paran\u00e1,\u00a0 sendo este o primeiro projeto do Brasil de recifes artificiais marinhos com licen\u00e7a do IBAMA e do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente<\/em>\u201d, detalha <strong>Robin Loose, coordenador de Log\u00edstica e Opera\u00e7\u00f5es N\u00e1uticas na Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos anos, a MarBrasil acompanhou a evolu\u00e7\u00e3o da fauna marinha e, desde 2009, o governo federal patrocina o REBIMAR. <strong>Os resultados s\u00e3o n\u00edtidos.<\/strong> A fauna se multiplicou e o Mero foi oportunamente uma das esp\u00e9cies que encontraram ref\u00fagio e alimento na nova <strong>\u201ccidade submersa\u201d. <\/strong>Al\u00e9m disso, as estruturas serviram como obst\u00e1culos para grandes embarca\u00e7\u00f5es pesqueiras e suas imensas redes de arrasto que varriam o fundo da costa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do sucesso do ponto de vista cient\u00edfico e ambiental, a iniciativa permitiu a explora\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel do oceano por meio do <strong>turismo<\/strong>. Considerando a escassez de ilhas e recifes naturais no litoral paranaense, a instala\u00e7\u00e3o dos recifes artificiais criaram uma <strong>paisagem fant\u00e1stica<\/strong> que pode ser visitada por mergulhadores de todo o Brasil e do exterior.\u201c<em>Os recifes contribu\u00edram o avistamento de Meros na regi\u00e3o, uma vez que a esp\u00e9cie tem sido observada ao longo dos anos estudados, e j\u00e1 \u00e9 sabido que anualmente agregam nesses ambientes para o evento de reprodu\u00e7\u00e3o. O <\/em><strong><em>mergulho recreativo <\/em><\/strong><em>acompanhou esse desenvolvimento e hoje, as operadoras passaram a explorar as \u00e1reas devido \u00e0 facilidade de avistamento dos Meros. O chamado <\/em><strong><em>Mero Watching<\/em><\/strong><em> ganhou repercuss\u00e3o nacional e trouxe renda a toda uma cadeia tur\u00edstica que inclui os barqueiros locais. Todos ganham com a prote\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie bandeira como o Mero<\/em>\u201d, enfatiza <strong>Cattani.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Pesquisadores mergulham fundo em recifes naturais e artificiais para saber a quantidade de Meros e outras esp\u00e9cies. Os dados v\u00e3o contribuir para a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e para compreender as mudan\u00e7as desses ambientes submersos ao longo do tempo. Pesquisador e Mero (Epinephelus itajara) O mero est\u00e1 no topo da cadeia alimentar. 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