{"id":2376,"date":"2026-08-31T18:44:49","date_gmt":"2026-08-31T21:44:49","guid":{"rendered":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/?p=2376"},"modified":"2026-09-01T16:19:46","modified_gmt":"2026-09-01T19:19:46","slug":"da-floresta-ao-oceano-ciencia-revela-a-saude-e-os-desafios-do-litoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/da-floresta-ao-oceano-ciencia-revela-a-saude-e-os-desafios-do-litoral\/","title":{"rendered":"Da floresta ao oceano: ci\u00eancia revela a sa\u00fade e os desafios do litoral"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (Rebimar) apresenta estudos in\u00e9ditos no 9\u00ba Congresso Brasileiro de Oceanografia<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2379\" aria-describedby=\"caption-attachment-2379\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2379 size-full\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Cananeia_Manguezal_drone_08072023-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1438\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Cananeia_Manguezal_drone_08072023-scaled.jpg 2560w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Cananeia_Manguezal_drone_08072023-300x168.jpg 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Cananeia_Manguezal_drone_08072023-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Cananeia_Manguezal_drone_08072023-768x431.jpg 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Cananeia_Manguezal_drone_08072023-1536x863.jpg 1536w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Cananeia_Manguezal_drone_08072023-2048x1150.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2379\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Gabriel Marchi<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Manguezais que armazenam carbono, caranguejos que sustentam comunidades costeiras, raias e tubar\u00f5es que revelam sinais de contamina\u00e7\u00e3o e esp\u00e9cies amea\u00e7adas que podem ganhar novas chances de sobreviv\u00eancia ap\u00f3s ca\u00edrem em redes de pesca. Em comum, estudos mostram que a conserva\u00e7\u00e3o do litoral tem impacto direto na vida marinha e nas pessoas que dependem da pesca, do extrativismo e de recursos naturais essenciais como o pr\u00f3prio oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 a partir dessa perspectiva integrada que a Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil participa do 9\u00ba Congresso Brasileiro de Oceanografia, de 24 a 28 de agosto, apresentando pesquisas in\u00e9ditas na costa brasileira. Os estudos foram desenvolvidos por pesquisadores ligados \u00e0 institui\u00e7\u00e3o e ao Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (REBIMAR), iniciativa que conta com patroc\u00ednio do Programa Petrobras Socioambiental e parceria cient\u00edfica de universidades brasileiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um \u201ccheck-up\u201d dos manguezais<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os destaques est\u00e1 o estudo <strong>\u201cMonitoramento integrado da sa\u00fade dos manguezais da Grande Reserva Mata Atl\u00e2ntica, Sul e Sudeste do Brasil\u201d<\/strong>, desenvolvido pelas pesquisadoras Sarah Charlier-Sarubo (MarBrasil), Cassiana Baptista Metri (UNESPAR), Laura Krama (LAGEAMB\/UFPR) e Mar\u00edlia Cunha Lignon (UNESP), todas integrantes do Rebimar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisa fez um diagn\u00f3stico<strong> ambiental dos manguezais<\/strong>, combinando diferentes indicadores para identificar sinais de degrada\u00e7\u00e3o, resili\u00eancia e recupera\u00e7\u00e3o. Em 2025, foram monitoradas <strong>42 parcelas permanentes <\/strong>nos litorais de S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1 e Santa Catarina, inseridas na Reserva da Biosfera da Mata Atl\u00e2ntica (UNESCO).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2388 size-full\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/REBIMAR_Manguzal-Vegetacao_ESEC_Guaraquecaba_241002-48-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1707\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/REBIMAR_Manguzal-Vegetacao_ESEC_Guaraquecaba_241002-48-scaled.jpg 2560w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/REBIMAR_Manguzal-Vegetacao_ESEC_Guaraquecaba_241002-48-300x200.jpg 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/REBIMAR_Manguzal-Vegetacao_ESEC_Guaraquecaba_241002-48-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/REBIMAR_Manguzal-Vegetacao_ESEC_Guaraquecaba_241002-48-768x512.jpg 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/REBIMAR_Manguzal-Vegetacao_ESEC_Guaraquecaba_241002-48-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/REBIMAR_Manguzal-Vegetacao_ESEC_Guaraquecaba_241002-48-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As pesquisadoras avaliaram a estrutura da vegeta\u00e7\u00e3o, estimaram biomassa e estoques de carbono e utilizaram drones para obter imagens capazes de indicar caracter\u00edsticas da vegeta\u00e7\u00e3o, como vigor vegetativo e teor de clorofila.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico tamb\u00e9m incorpora o <strong>caranguejo-u\u00e7\u00e1 (<em>Ucides cordatus<\/em>)<\/strong>, esp\u00e9cie ecologicamente importante e diretamente relacionada \u00e0s comunidades que dependem dos recursos dos manguezais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o dos indicadores permite observar o ecossistema de diferentes perspectivas: a floresta, o carbono armazenado, o estado de conserva\u00e7\u00e3o dos bosques de mangue e a presen\u00e7a de uma esp\u00e9cie-chave.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os resultados mostram diferen\u00e7as importantes entre as \u00e1reas. Em Canan\u00e9ia e Icapara, no litoral paulista, os manguezais apresentaram alto desenvolvimento estrutural e estoques de carbono a\u00e9reo entre <strong>65 e 107 toneladas por hectare<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 no <strong>Valo Grande, em Iguape (SP)<\/strong>, surgiu um dos principais sinais de alerta. O \u00edndice de vigor vegetativo foi negativo, enquanto o estoque de carbono ficou em <strong>43,8 toneladas por hectare<\/strong>. No local, os pesquisadores tamb\u00e9m n\u00e3o encontraram popula\u00e7\u00f5es de caranguejo-u\u00e7\u00e1. O cen\u00e1rio est\u00e1 associado \u00e0 presen\u00e7a de um canal artificial que causa grandes altera\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em <strong>Superagui<\/strong>, no Paran\u00e1, o estoque de carbono foi de <strong>18,5 toneladas por hectare<\/strong>, resultado relacionado a um evento clim\u00e1tico extremo ocorrido em 2019, que provocou a mortalidade de \u00e1rvores adultas. O local, entretanto, apresenta sinais de regenera\u00e7\u00e3o e uma popula\u00e7\u00e3o de caranguejo-u\u00e7\u00e1 em recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em <strong>Paranagu\u00e1<\/strong>, mesmo sob influ\u00eancia portu\u00e1ria, o manguezal manteve estoque moderado de carbono, de <strong>57,7 toneladas por hectare<\/strong>, indicando capacidade de resili\u00eancia da floresta. Ao mesmo tempo, a densidade de caranguejos foi considerada cr\u00edtica, de apenas <strong>0,06 indiv\u00edduo por metro quadrado<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2382\" aria-describedby=\"caption-attachment-2382\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2382 size-full\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Sarah-Charlie_-REBIMAR_Manguezal_fotografo-Gabriel-Marchi-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1707\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Sarah-Charlie_-REBIMAR_Manguezal_fotografo-Gabriel-Marchi-scaled.jpg 2560w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Sarah-Charlie_-REBIMAR_Manguezal_fotografo-Gabriel-Marchi-300x200.jpg 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Sarah-Charlie_-REBIMAR_Manguezal_fotografo-Gabriel-Marchi-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Sarah-Charlie_-REBIMAR_Manguezal_fotografo-Gabriel-Marchi-768x512.jpg 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Sarah-Charlie_-REBIMAR_Manguezal_fotografo-Gabriel-Marchi-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Sarah-Charlie_-REBIMAR_Manguezal_fotografo-Gabriel-Marchi-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2382\" class=\"wp-caption-text\">Pesquisadora Sarah Sarubo em campo. Foto: Gabriel Marchi.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quanto o manguezal pode suportar?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro estudo apresentado no Congresso procura responder a uma pergunta importante para quem vive e trabalha nos manguezais: <strong>quanto \u00e9 poss\u00edvel retirar da natureza sem comprometer a renova\u00e7\u00e3o do caranguejo-u\u00e7\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisa acompanhou a popula\u00e7\u00e3o de caranguejo-u\u00e7\u00e1 em <strong>13 \u00e1reas de manguezais dos litorais de S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1 e Santa Catarina<\/strong>. Durante o trabalho de campo, os pesquisadores registraram <strong>4.703 tocas<\/strong>, as tocas abertas foram medidas e convertidas para o tamanho da carapa\u00e7a do caranguejo. Esse m\u00e9todo facilita o estudo da popula\u00e7\u00e3o dos caranguejos que para serem coletados \u00e9 necess\u00e1ria a presen\u00e7a de um catador experiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo foi conduzido por Gabriele Costa Ramos, J\u00falia Ramos de Oliveira, T\u00e2nia Zaleski, Rafael Metri, Cassiana Baptista Metri (UNESPAR) e Sarah Charlier-Sarubo (MarBrasil).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A quantidade de caranguejos variou de acordo com o ambiente. Nas \u00e1reas mais pr\u00f3ximas da \u00e1gua, chamadas de franja, foi encontrada uma m\u00e9dia de <strong>1,57 caranguejo por metro quadrado<\/strong>. Nas \u00e1reas mais internas do manguezal, a m\u00e9dia foi de <strong>1,27<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas um dado chamou a aten\u00e7\u00e3o: em algumas regi\u00f5es, havia muitos caranguejos jovens e poucos adultos, que s\u00e3o justamente os animais que podem ser capturados, aqueles com largura corporal superior a sete cent\u00edmetros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na <strong>Ba\u00eda da Babitonga, em Santa Catarina<\/strong>, por exemplo, uma das \u00e1reas analisadas tinha apenas cerca de <strong>1% de caranguejos adultos em tamanho adequado para captura<\/strong>. J\u00e1 em N\u00f3brega, em Canan\u00e9ia, S\u00e3o Paulo, a propor\u00e7\u00e3o entre jovens e adultos era mais equilibrada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as mostram que <strong>n\u00e3o d\u00e1 para tratar todos os manguezais da mesma maneira<\/strong>. Cada regi\u00e3o tem suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas e deve ter um hist\u00f3rico diferente de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1960 size-full\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/caranguejo-uca.png\" alt=\"\" width=\"1366\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/caranguejo-uca.png 1366w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/caranguejo-uca-300x169.png 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/caranguejo-uca-1024x576.png 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/caranguejo-uca-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1366px) 100vw, 1366px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Raias e tubar\u00f5es como sentinelas da sa\u00fade do oceano<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Raias e tubar\u00f5es podem ajudar os pesquisadores a descobrir problemas no mar <strong>antes mesmo que eles sejam percebidos a olho nu<\/strong>. \u00c9 por isso que esses animais s\u00e3o considerados importantes indicadores da sa\u00fade dos oceanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A <strong>equipe de Raias e Tubar\u00f5es <\/strong>apresenta no Congresso uma s\u00e9rie de pesquisas que investigam desde a presen\u00e7a de contaminantes nesses animais at\u00e9 a resist\u00eancia de bact\u00e9rias a medicamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos estudos analisou a <strong>raia-ticonha (<em>Rhinoptera bonasus<\/em>)<\/strong>, esp\u00e9cie classificada como Vulner\u00e1vel, capturada acidentalmente por pescadores artesanais em Matinhos, no litoral do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram amostras de sangue e br\u00e2nquias e encontraram sinais de que a presen\u00e7a de determinados metais e metal\u00f3ides pode estar relacionada a altera\u00e7\u00f5es no funcionamento do organismo, incluindo processos ligados ao metabolismo, equil\u00edbrio \u00e1cido-base e osmorregula\u00e7\u00e3o (processos fisiol\u00f3gicos essenciais para a sa\u00fade do animal). Ou seja, <strong>nem todo impacto da polui\u00e7\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel por fora<\/strong>. O animal pode parecer saud\u00e1vel, enquanto altera\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o acontecendo internamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro estudo investigou a <strong>raia-viola-de-focinho-curto (<em>Zapteryx brevirostris<\/em>)<\/strong>, esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, e analisou as bact\u00e9rias presentes em seu organismo. \u00c9 a primeira pesquisa a fazer esse tipo de levantamento para a esp\u00e9cie no Atl\u00e2ntico Sudoeste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2386\" aria-describedby=\"caption-attachment-2386\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2386 size-full\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto-9-Raia-viola-com-Pesquisadora-Eloisa-Giareta.-Foto_-Gabriel-Marchi-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1707\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto-9-Raia-viola-com-Pesquisadora-Eloisa-Giareta.-Foto_-Gabriel-Marchi-scaled.jpg 2560w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto-9-Raia-viola-com-Pesquisadora-Eloisa-Giareta.-Foto_-Gabriel-Marchi-300x200.jpg 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto-9-Raia-viola-com-Pesquisadora-Eloisa-Giareta.-Foto_-Gabriel-Marchi-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto-9-Raia-viola-com-Pesquisadora-Eloisa-Giareta.-Foto_-Gabriel-Marchi-768x512.jpg 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto-9-Raia-viola-com-Pesquisadora-Eloisa-Giareta.-Foto_-Gabriel-Marchi-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Foto-9-Raia-viola-com-Pesquisadora-Eloisa-Giareta.-Foto_-Gabriel-Marchi-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2386\" class=\"wp-caption-text\">Raia-viola-de-focinho-curto sendo devolvida ao mar ap\u00f3s reabilita\u00e7\u00e3o. Foto: Gabriel Marchi.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre dez animais analisados no litoral do Paran\u00e1, foram identificadas <strong>23 esp\u00e9cies de bact\u00e9rias<\/strong>, incluindo algumas que tamb\u00e9m podem estar associadas a doen\u00e7as em seres humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos dados que mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a <strong>resist\u00eancia dessas bact\u00e9rias aos antibi\u00f3ticos<\/strong>. Mais da metade dos microrganismos analisados, <strong>57%<\/strong>, apresentou resist\u00eancia a pelo menos um dos medicamentos testados. A resist\u00eancia chegou a <strong>95% no caso da ampicilina<\/strong> e a <strong>83% para a tetraciclina<\/strong>, embora o estudo n\u00e3o tenha medido diretamente a quantidade de res\u00edduos de antibi\u00f3ticos na \u00e1gua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi encontrada <em>Escherichia coli<\/em> em animais capturados em \u00e1guas costeiras. A presen\u00e7a dessa bact\u00e9ria pode ser um sinal de <strong>contamina\u00e7\u00e3o por esgoto ou fezes no ambiente<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses animais funcionam, assim, como uma esp\u00e9cie de <strong>\u201calarme biol\u00f3gico\u201d do oceano<\/strong>, ajudando os pesquisadores a identificar press\u00f5es ambientais que podem afetar n\u00e3o apenas a vida marinha, mas tamb\u00e9m a qualidade das \u00e1guas e os ecossistemas dos quais as pessoas dependem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada por uma equipe multidisciplinar da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil (programa REBIMAR e projeto One (Blue) Health), da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Entre os pesquisadores est\u00e3o Rachel Ann Hauser-Davis, Renata Garcia Costa, Rose Mary Pimentel Bezerra, Izabela Martins Vicente, Renata Daldin Leite, Eloisa Pinheiro Giareta, Natascha Wosnick, Leonardo de Paula Rios, Jo\u00e3o Pedro Sader Teixeira e Joseli Maria da Rocha Nogueira.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma segunda chance para esp\u00e9cies criticamente amea\u00e7adas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel reduzir a mortalidade de animais amea\u00e7ados que s\u00e3o capturados incidentalmente pela pesca?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um estudo com o <strong>ca\u00e7\u00e3o-anjo (<em>Squatina occulta<\/em>)<\/strong>, esp\u00e9cie Criticamente Em Perigo, avaliou um protocolo de recupera\u00e7\u00e3o em ambiente controlado ap\u00f3s a captura incidental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Oito indiv\u00edduos capturados em redes de emalhe destinadas \u00e0 pesca de linguado, na regi\u00e3o de Pontal do Paran\u00e1, foram acompanhados durante 24 horas em cativeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sete dos oito animais sobreviveram ao per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o em cativeiro, uma taxa de sobreviv\u00eancia de 87,5%.<\/strong> Pesquisadores tamb\u00e9m observaram uma recupera\u00e7\u00e3o significativa do estresse durante o per\u00edodo de reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo representa o <strong>primeiro registro mundial<\/strong> de um protocolo de recupera\u00e7\u00e3o em cativeiro para <em>o <\/em>ca\u00e7\u00e3o-anjo. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da UDESC, Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil (programa REBIMAR e projeto One (Blue) Health), UFPR e Fiocruz, com participa\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Pedro Sader Teixeira, Renata Daldin Leite, Natascha Wosnick, Leonardo de Paula Rios, Rachel Ann Hauser-Davis e Elo\u00edsa Pinheiro Giareta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais do que estudar esp\u00e9cies isoladas, o conjunto de trabalhos ajuda a construir uma vis\u00e3o integrada do litoral e aponta possibilidades concretas de aprimorar estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2377\" aria-describedby=\"caption-attachment-2377\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2377 size-full\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Soltura_Tubarao_Anjo_04042022-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1438\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Soltura_Tubarao_Anjo_04042022-scaled.jpg 2560w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Soltura_Tubarao_Anjo_04042022-300x169.jpg 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Soltura_Tubarao_Anjo_04042022-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Soltura_Tubarao_Anjo_04042022-768x431.jpg 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Soltura_Tubarao_Anjo_04042022-1536x863.jpg 1536w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Soltura_Tubarao_Anjo_04042022-2048x1150.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2377\" class=\"wp-caption-text\">Tubar\u00e3o-anjo em reabilita\u00e7\u00e3o da sede da Associa\u00e7\u00e3o MarBrasil. Foto: Rebimar.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2378\" aria-describedby=\"caption-attachment-2378\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2378 size-full\" src=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Raias-e-Tubarao-Anjo-3-scaled.png\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1920\" srcset=\"https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Raias-e-Tubarao-Anjo-3-scaled.png 2560w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Raias-e-Tubarao-Anjo-3-300x225.png 300w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Raias-e-Tubarao-Anjo-3-1024x768.png 1024w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Raias-e-Tubarao-Anjo-3-768x576.png 768w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Raias-e-Tubarao-Anjo-3-1536x1152.png 1536w, https:\/\/marbrasil.org\/rebimar\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Raias-e-Tubarao-Anjo-3-2048x1536.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2378\" class=\"wp-caption-text\">Pesquisadora Elo\u00edsa Giareta com raias sendo preparadas para soltura ap\u00f3s reabilita\u00e7\u00e3o. Foto: Renata Daldin Leite.<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha (Rebimar) apresenta estudos in\u00e9ditos no 9\u00ba Congresso Brasileiro de Oceanografia &nbsp; &nbsp; Manguezais que armazenam carbono, caranguejos que sustentam comunidades costeiras, raias e tubar\u00f5es que revelam sinais de contamina\u00e7\u00e3o e esp\u00e9cies amea\u00e7adas que podem ganhar novas chances de sobreviv\u00eancia ap\u00f3s ca\u00edrem em redes de pesca. 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